"Não sobrou nada, nem um dedo, nada." Com a voz serena e os olhos mirando o vazio, Hussein Nahle narra a morte do sobrinho Abas, 22, vítima de um bombardeio de Israel na aldeia de Taybeh, no sul do Líbano.
Hussein, 60, é dono de uma pequena loja de esfirras em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. Ele diz que o sobrinho fora visitar um amigo que se recusou a acatar a ordem de retirada emitida pelo Exército israelense. "A vila estava quase vazia, então o avião viu os dois e jogou bomba neles."
Taybeh, vila de maioria xiita na fronteira de Israel, foi esvaziada e demolida. Dentre os 15 mil moradores desalojados, estão as famílias de três irmãos de Hussein: Wafa, mãe de Abas, deslocou-se para Brumana, nas cercanias de Beirute; Wafik e Rafik foram acolhidos por conhecidos em Trípoli, no norte do país.
O drama de Hussein não é uma excepcionalidade. O Brasil é o país que mais recebeu imigrantes da diáspora libanesa, em ondas que se repetem desde o fim do século 19. Entre imigrantes e descendentes, a Associação Cultural Brasil-Líbano estima o tamanho da comunidade em cerca de 8 milhões de pessoas. Muitas dessas famílias, em especial quem veio nas levas mais recentes, mantêm contato próximo com quem ficou no Líbano.






