De acordo com ele, Montefalcone conseguiu retornar à superfície ao lado de outros mergulhadores experientes apesar do perigo e voltou a mergulhar mesmo após enfrentar um longo período de recuperação por graves complicações de saúde. “Ela tinha duas vidas — uma em terra e outra em seu ambiente, a água”, afirmou Sommacal. Montefalcone estava entre os cinco italianos que morreram enquanto tentavam explorar cavernas a cerca de 50 metros de profundidade no Atol de Vaavu, nas Maldivas, na quinta-feira (14), segundo o Ministério das Relações Exteriores da Itália. As outras vítimas foram identificadas como sua filha, Giorgia Sommacal; o biólogo marinho Federico Gualtieri; a pesquisadora Muriel Oddenino; e o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, de acordo com o governo das Maldivas. Vídeos em alta no g1 O corpo de Benedetti foi recuperado na quinta-feira. Já a operação de alto risco para recuperar os corpos dos outros quatro mergulhadores foi suspensa nesta sexta-feira (15) após o mar agitado dificultar repetidamente os trabalhos. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que, apesar das más condições climáticas, “tudo o que for possível” será feito para levar os corpos das vítimas de volta ao país. A causa das mortes segue sob investigação. A expectativa é que as buscas sejam retomadas neste sábado (16). “Infelizmente, as buscas estão suspensas devido ao mau tempo, mas faremos tudo o que for possível para recuperar os corpos dos nossos compatriotas”, disse Tajani durante um evento político na Itália. O marido de Montefalcone afirmou acreditar que algo inesperado ocorreu e descartou qualquer imprudência por parte da esposa. “Alguma coisa deve ter acontecido”, disse ele ao canal italiano Rete 4. Segundo Sommacal, a mulher era uma mergulhadora disciplinada, que avaliava cuidadosamente os riscos antes de cada descida. Ele relembrou que ela costumava dizer: “Esse eu consigo fazer, você não consegue”. O mergulho em cavernas é considerado uma atividade altamente técnica e perigosa, que exige treinamento especializado, equipamentos específicos e protocolos rígidos de segurança. Os riscos aumentam significativamente em ambientes fechados e em grandes profundidades, especialmente quando as condições pioram. Especialistas afirmam que é fácil perder a orientação dentro das cavernas, principalmente porque sedimentos podem reduzir drasticamente a visibilidade. Local onde cinco italianos mergulharam nas Maldivas. — Foto: Divulgação/AP Mergulhos a 50 metros de profundidade também ultrapassam o limite máximo recomendado para mergulho recreativo pela maioria das principais entidades internacionais de certificação. Profundidades acima de 40 metros já são classificadas como mergulho técnico, modalidade que requer treinamento e equipamentos especializados. Nas Maldivas, o limite para mergulho recreativo é de 30 metros. O porta-voz da presidência das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef, disse que oito mergulhadores participaram das buscas na sexta-feira e, trabalhando em duplas, exploraram as profundezas e elaboraram um mapa para dar continuidade à missão no sábado. Segundo ele, o corpo de Benedetti foi encontrado próximo à entrada da caverna, e as autoridades acreditam que os outros quatro mergulhadores tenham entrado mais profundamente no local. Dois italianos — um especialista em resgate em águas profundas e um especialista em mergulho em cavernas — devem se juntar à operação, afirmou Shareef. Autoridades italianas disseram que cerca de 20 outros italianos que participavam da mesma expedição a bordo da embarcação “Duke of York” estão em segurança. A embaixada da Itália em Colombo presta assistência aos passageiros e entrou em contato com a Cruz Vermelha, que ofereceu voluntários para apoio psicológico. Segundo o ministério italiano, a embarcação buscava abrigo seguro das más condições climáticas e aguardava melhora do tempo para retornar a Male. A organização ambiental Greenpeace Italia prestou homenagem a Montefalcone, descrevendo-a como uma defensora apaixonada da proteção marinha. A entidade afirmou que sentirá falta “de seu profissionalismo e de seus conselhos” e “da luz especial que havia em seus olhos quando falava sobre as maravilhas do mar e a importância de protegê-las”. O Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália também lamentou as mortes e afirmou que Montefalcone era amplamente reconhecida pelo trabalho de pesquisa e proteção do meio ambiente marinho. O Ministério das Relações Exteriores da Itália informou ainda que coordena ações com a Divers Alert Network, organização especializada em mergulho, para apoiar as operações de resgate e o traslado dos corpos. Segundo o ministério, a caverna explorada pelos cinco italianos é dividida em três grandes câmaras conectadas por passagens estreitas. As equipes conseguiram explorar duas delas, mas a operação foi limitada por questões relacionadas ao oxigênio e à descompressão. Neste sábado (16), os mergulhadores devem explorar a terceira câmara, acrescentou o governo italiano. Píer no Atol de Malé, nas Maldivas. — Foto: Divulgação/AP
Mergulhadora italiana que morreu nas Maldivas sobreviveu a tsunami | G1
Monica Montefalcone fazia parte do grupo de cinco italianos que desapareceram após entrarem em uma caverna submarina profunda nas Maldivas.













