A pior semana do governo Keir Starmer terminará neste sábado (16) com uma manifestação da extrema direita nas ruas de Londres. O evento preocupa Downing Street a ponto de o primeiro-ministro, nesta sexta-feira (15), ter cumprido sua primeira agenda pública após a rebelião dentro do próprio partido no comando da Metropolitan Police.

"Estamos travando uma batalha pela alma deste país, e a marcha ‘Unite the Kingdom’ deste fim de semana é um forte lembrete do que estamos enfrentando exatamente", declarou o premiê durante a visita. "Seus organizadores estão incitando o ódio e a divisão."

Starmer está em uma batalha de sobrevivência política desde a semana passada, quando o Partido Trabalhista sofreu uma derrota histórica nas chamadas eleições locais. A legenda perdeu mais de 1.400 em conselhos e distritos, número equivalente ao ganho inédito alcançado pelo Reform UK, do populista Nigel Farage.

Farage, representação política e histriônica do extremismo de direita britânico, é quase um moderado perto do organizador da marcha, Tommy Robinson, ativista anti-imigração e islamofóbico, que promete "o maior evento da história do Reino Unido" neste fim de semana.

No ano passado, Robinson, descrito muitas vezes como um hooligan político, com passagens pela prisão e cujo nome verdadeiro é Stephen Yaxley-Lennon, reuniu mais de 100 mil pessoas no centro da capital, pressionando o gabinete de Starmer a tomar decisões relacionadas à imigração, o principal mote do protesto. Houve confronto com a polícia, que deteve vários manifestantes e, depois, manteve 23 presos.