O Comité Executivo Nacional (NEC, na sigla em inglês) do Partido Trabalhista aprovou esta sexta-feira a candidatura de Andy Burnham, presidente da Câmara de Manchester, a um lugar na Câmara dos Comuns do Parlamento do Reino Unido, pelo círculo eleitoral de Makerfield, no Norte de Inglaterra.A decisão do NEC, anunciada por um porta-voz do Labour, foi tomada pela maioria dos seus membros e pode abrir caminho a uma disputa pela liderança do Partido Trabalhista, em grande turbulência desde o fiasco eleitoral da semana passada em Inglaterra, País de Gales e Escócia.Apontado há muito tempo como o principal adversário interno do primeiro-ministro, Keir Starmer, Burnham, da ala esquerda do Labour, anunciou na quinta-feira que pretendia ser o concorrente do partido a um cargo de deputado que ficou vago depois de o trabalhista Josh Simons ter renunciado ao mesmo para permitir a candidatura do autarca, seu aliado.

“Há um limite para o que se pode fazer a partir da Grande Manchester. São necessárias mudanças muito mais profundas a nível nacional”, afirmou, na quinta-feira, o mayor daquela cidade.Segundo as regras internas do partido, só um membro do Parlamento pode desencadear um processo formal e concorrer à liderança do Labour, necessitando, para além disso, do apoio de pelo menos 20% da bancada trabalhista (81 deputados).Burnham não revelou ainda se vai desafiar Starmer, mas já recebeu o apoio de dezenas de deputados para avançar nesse sentido e a sua candidatura pelo círculo de Makerfield, perto de Wigan, é vista pela imprensa britânica e pelos analistas do país como um sinal claro de que o vai fazer assim que for eleito deputado.Uma sondagem da Survation para o site Labour List, publicada na quinta-feira, mostrava que a maioria dos militantes do partido preferem Burnham (61%) a Starmer (21%).O primeiro-ministro está em maus lençóis e já viu mais de 90 parlamentares pedirem que se demita ou que apresente um calendário para uma transição de poder. Ainda assim, Starmer garante que vai defender o seu posto se for desafiado internamente.Para além de Burnham e de Starmer, Wes Streeting também está de olho numa corrida à liderança, tendo apresentado na quinta-feira a demissão do cargo de ministro da Saúde, explicando ter “perdido a confiança” no primeiro-ministro. Esta sexta-feira, os seus aliados disseram aos media britânicos que o agora ex-governante, da facção mais à direita do partido, participará numa eleição interna pela chefia do Labour.