Em uma noite de outono de 2024, minha esposa e eu ouvíamos um podcast no carro quando me deparei com um documentário da HBO que afirmava ter revelado a identidade de Satoshi Nakamoto, o pseudônimo do criador do bitcoin.
A conclusão do filme —que apontava um desenvolvedor canadense— me pareceu fraca. Mas uma cena me prendeu a atenção: Adam Back, criptógrafo britânico e figura central no mundo do bitcoin, ficou visivelmente tenso quando seu nome foi mencionado como suspeito. Sua linguagem corporal —os olhos esquivos, a risada nervosa, o movimento brusco da mão— me pareceu suspeita.
Dois anos antes, eu havia passado vários meses pesquisando sobre o assunto, mas logo percebi que estava além das minhas capacidades e desisti a contragosto. Depois de ver o documentário, decidi tentar, mais uma vez, desvendar o mistério.
Satoshi deixou poucos rastros digitais, mas deixou um corpus de textos: um white paper de nove páginas e centenas de posts no fórum Bitcointalk. Durante um julgamento envolvendo um impostor australiano, o programador finlandês Martti Malmi, que colaborou com Satoshi nos primórdios do bitcoin, divulgou centenas de e-mails trocados com ele. Convenci-me de que a chave para identificar Satoshi estava nesses textos.










