Regular trabalho por aplicativo é mais urgente que acabar com escala 6X1, diz José PastoreEspecialista defende aprovação de projetos regulamentando trabalho por plataformas e incluindo motoristas e entregadores na Previdência Social. Crédito: José Pastore, sociólogo e presidente do Conselho de Emprego da Fecomércio-SPGerando resumoUma eventual redução da jornada de trabalho pode elevar os preços das mercadorias vendidas pelo atacadistas em até 20%, a depender do modelo adotado na mudança das regras trabalhistas, segundo presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad), Leonardo Miguel Severini.PUBLICIDADESe a mudança envolver apenas redução da jornada, sem alterações adicionais na escala, o impacto estimado seria de cerca de 10%.PublicidadeSeverini afirmou que o setor empresarial ainda não participou de forma suficiente das discussões sobre o tema e defendeu que o debate considere os efeitos sobre custos e produtividade.Atacadão lidera o ranking do atacado e responde por um terço das vendas do setor Foto: Eugenio Goulart“O empresário não tem como arcar com essa diferença de folha sem ter o repasse devido dessa precificação sob pena dele não ter a sua atividade sendo remunerada”, afirmou.O Brasil ainda enfrenta desafios estruturais relacionados à produtividade e à digitalização das empresas, segundo Severini. “O País carece de investimentos na área de produtividade, infraestrutura e capacitação.”Combustível e freteO presidente da Abad também afirmou que o setor acompanha com atenção as oscilações nos preços dos combustíveis devido ao impacto direto sobre as operações logísticas.PublicidadeO frete representa cerca de 5% dos custos totais da operação atacadista, sendo aproximadamente metade desse valor relacionada aos gastos com combustíveis.“Qualquer ajuste no valor da gasolina é diretamente impactado na operação logística”, afirmou.De acordo com Severini, parte do aumento dos custos costuma ser absorvida pelas empresas antes de eventuais repasses aos preços finais. “Muitas vezes ele é absorvido pelo setor até um ponto em que não há mais como segurar esse repasse”, disse.Ranking de 2026O ranking da Abad de 2026 das dez maiores empresas atacadistas, tendo como base os dados do desempenho de 2025, praticamente se manteve em relação ao do ano anterior.PublicidadePUBLICIDADEO Atacadão, do Grupo Carrefour, se manteve na liderança, com vendas de R$ 89,8 bilhões, seguido pelo Grupo Martins, que faturou no ano passado R$ 7,5 bilhões.Sozinho o Atacadão respondeu por um terço das vendas do setor atacadista. O gigantismo da empresa atacadista em relação a seus pares pode ser comparado ao efeito de distorções de companhias como a Petrobras e a Vale provocam em rankings empresarias dos quais participam. De acordo com o diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ, Domenico Tremaroli Filho, responsável pelo estudo sobre o setor atacadista, as pequenas alterações que houve de um ano para outro dizem respeito a atacadistas que não respondiam à pesquisa para formulação do ranking e passaram a respondê-la.Esse é o caso do Comercial Zaffari, do Rio Grande do Sul, que ocupa a quinta posição no ranking, com faturamento de R$ 6,4 bilhões em 2025. Nas edições anteriores, a empresa não participava da pesquisa.PublicidadeSegundo o executivo, a razão para essa tendência seria a condição comercial mais favorável de negociação oferecida pelos atacados distribuidores em relação à dos fabricantes.Publicidade