A trabalhadora abre o computador às 8 da manhã e encontra 17 notificações no Slack, 22 e-mails não lidos, três mensagens marcadas como urgentes no Teams e um grupo de WhatsApp do trabalho com 94 mensagens acumuladas durante a madrugada. Antes mesmo do café, a jornada começa em um terreno fragmentado, no qual a atenção é disputada por plataformas concorrentes e a urgência é condição permanente. A cena, repetida em milhões de mesas brasileiras, descreve o que pesquisadores e gestores passaram a chamar de fadiga de plataforma, um esgotamento silencioso que a regulação trabalhista finalmente começa a enxergar.
Um levantamento da Read AI conduzido em 2025 mostrou que 75% dos profissionais e empreendedores brasileiros transitam diariamente entre aplicativos diferentes para se comunicar com equipes distintas. O número traduz uma arquitetura digital corporativa que se firmou na pandemia em caráter emergencial, que nunca mais foi revisada. Slack, Teams, WhatsApp, e-mail, Notion, sistemas internos de gestão e, mais recentemente, ferramentas de Inteligência Artificial generativa, que se acumularam sem hierarquia, e transformam o trabalho do escritório em uma sucessão de interrupções, que fragmenta a atenção e dilata a jornada. “A digitalização prometeu mais autonomia e eficiência, é verdade que entregou boa parte disso no começo, mas o problema apareceu quando viramos reféns de ferramentas demais”, afirma Gustavo Caetano, fundador e presidente da Sambatech. Segundo ele, a multiplicação de canais transferiu para o trabalhador a tarefa de costurar fluxos que as empresas não organizaram, com custo direto sobre foco e produtividade.












