Enquanto escrevo, o premiê britânico Keir Starmer luta pela sua sobrevivência política, o que é uma novidade: ao menos está lutando. Embora seja incerta a sua sorte, uma coisa é garantida: em torno dele vamos ver surgir mais um episódio da sempiterna batalha entre esquerdistas e centristas no campo progressista, cada um garantindo que o outro leva à derrota certa, seja por falta de convicções, seja por falta de consensos.

É um debate cansativo, porque ambos estão errados. Não me confundam: eu sou da esquerda, e de uma esquerda que não é centrista. Mas não é por achar que isso nos dá automaticamente mais chance de vitória e que um candidato centrista esteja automaticamente derrotado.

Além disso, lembro que ainda há não muito tempo Keir Starmer era um fiel escudeiro de Jeremy Corbyn, um dos líderes mais esquerdistas que os trabalhistas britânicos já tiveram, e que perdeu feio também.

Keir Starmer, por sua vez, ganhou como centrista uma maioria absolutérrima nas eleições parlamentares de há uns anos. E agora não só perde como arrisca levar consigo o seu partido. O que se passou? Segundo quem o conhece bem, Keir Starmer é pessoa de grande simpatia, excelentes intenções e bons princípios. Mas é incapaz de tomar decisões, mesmo tendo tido todas as condições para fazê-lo.