Na abertura da conferência de celebração dos 50 anos da Unesp, nesta quarta-feira (13), o escritor Mo Yan, vencedor do Nobel de Literatura em 2012, declarou-se entusiasta da ciência e das novas tecnologias, especialmente na conexão da China com o resto do mundo.

"Este fórum certamente tem a ver com o nosso futuro. Eu acredito que o intercâmbio cultural é uma grande ponte para a amizade entre os países. Não há atividades meramente econômicas ou políticas, tudo é relacionado à cultura", disse no discurso de abertura do evento.

O escritor lamentou não falar outras línguas, mas disse acreditar que a inteligência artificial deve resolver este problema. "Havia uma única língua na torre de Babel, mas Deus ficou preocupado, então criou todas as outras. O que estamos fazendo agora é contra a sua vontade. A ciência e a tecnologia vão permitir que a humanidade possa usar um dispositivo para se comunicar com qualquer pessoa do mundo".

Nascido em 1955, na província de Shandong, no leste da China, ele acompanhou as transformações do último século. "Os meios de comunicação foram alterados completamente com a urbanização", define o escritor.

No bate-papo com o jornalista Manuel da Costa Pinto, ele lembrou a infância no campo, quando passava as noites ouvindo as histórias da família. "Com a eletricidade, a televisão e o rádio, a literatura oral vem diminuindo. Hoje em dia, o ritmo é ainda mais acelerado. As crianças ficam no celular, ninguém quer gastar tempo com histórias dos velhinhos."