Há quatro anos, para se poder fazer um Mundial no meio do deserto, construíram-se estádios com ar condicionado, alguns deles com cobertura retráctil, e mudou-se o torneio do Verão para o Inverno. Em 2026, o Mundial das Américas vai mesmo ser no Verão, três dos 16 recintos serão cobertos e prevê-se que haja recordes de temperatura em várias cidades com jogos deste torneio. Mais, segundo um estudo do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA, todas as zonas do país irão sofrer com temperaturas acima da média histórica em Junho e Julho próximos. E terá a FIFA feito o suficiente para garantir a segurança de jogadores e espectadores nestas condições durante o Mundial? Segundo um grupo de cientistas do clima e especialistas em saúde e performance desportiva, tem de fazer mais.“Estamos preocupados que as actuais directrizes da FIFA para a mitigação do stress térmico sejam inadequadas e possam vir a colocar os jogadores em risco de sofrerem lesões por calor durante o Mundial 2026”, pode ler-se numa carta aberta divulgada nesta quarta-feira e assinadas por especialistas em diferentes áreas e de vários países. Na mensagem, os especialistas apelam ao organismo liderado por Gianni Infantino para “adoptar protocolos que dêem prioridade à prevenção e não à reacção, e que estejam alinhados com a fisiologia do exercício contemporânea, os princípios de saúde ocupacional e os padrões de dever de protecção e cuidado exigidos no desporto de elite”, para “dar prioridade à segurança dos jogadores”.Medidas sugeridasO que é que este grupo pede à FIFA? Por exemplo, que aumente o tempo da pausa para hidratação em cada uma das partes de três minutos para seis. A possibilidade de adiar o início do jogo ou que remarque esse jogo para outro dia em caso de temperaturas acima de um determinado valor também é algo que, segundo este grupo de especialistas, a FIFA deve considerar. O grupo sugere ainda dotar os balneários dos jogadores com equipamento para “refrigeração agressiva antes do jogo e no intervalo”.Estes cientistas usam o índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT) como padrão para estimar os efeitos da temperatura do ar, humidade e luz solar no corpo humano. Foi com base neste índice que a FIFpro, o sindicato internacional de jogadores, apresentou as suas recomendações sobre o que é seguro para os atletas. A Fifpro recomenda medidas de arrefecimento quando o WBGT ultrapassa os 26 graus Celsius e defende que os jogos devem ser adiados se a temperatura exceder os 28°C, o equivalente a cerca de 38°C em ambiente seco ou 30°C em condições de elevada humidade.Os cientistas também aconselham a FIFA a seguir as recomendações da FIFpro. “A segurança dos jogadores é uma preocupação imediata e urgente. Estamos preocupados que a FIFA esteja a brincar com a saúde e segurança dos jogadores”, disse Andrew Simms, um dos signatários da carta, à BBC.A FIFA não reagiu directamente à carta dos cientistas, mas um porta-voz do organismo, ainda segundo a BBC, garantiu que haverá um acompanhamento meteorológico dedicado em todas as cidades do Mundial e que o calendário foi desenhado para limitar os efeitos adversos do calor. O porta-voz acrescentou ainda que a FIFA está a acompanhar a situação em tempo real e que está pronta para aplicar medidas de contingência, se necessário.
Preparem-se para um Mundial escaldante, alertam os cientistas
Um grupo de especialistas diz que a FIFA tem de fazer mais para minorar os efeitos das altas temperaturas durante os jogos do Mundial de futebol.










