Valdir Piran Jr. — Foto: Divulgação Durante mais de uma década, grande parte do capital global esteve concentrada em ações de tecnologia, especialmente nos Estados Unidos. A combinação de juros baixos, liquidez abundante e valorização acelerada dos mercados criou um ambiente favorável para estratégias focadas em crescimento e ganho de capital. Mas esse cenário começa a mudar. Enquanto os holofotes permanecem voltados para os movimentos das bolsas e para as decisões dos bancos centrais, uma transformação silenciosa está ocorrendo nas carteiras dos investidores mais sofisticados do mundo. Family offices, fundos patrimoniais, fundos soberanos e investidores de alta renda vêm promovendo uma das maiores mudanças de alocação das últimas décadas. A concentração histórica em ativos listados está dando lugar a uma estratégia mais diversificada, com aumento da exposição a infraestrutura, ativos reais, ouro, crédito privado e tecnologia aplicada à gestão de investimentos. O movimento reflete um ambiente global marcado por desafios inéditos. Segundo o Instituto Internacional de Finanças (IIF), a dívida global ultrapassa US$ 320 trilhões, enquanto conflitos geopolíticos, disputas comerciais, déficits públicos elevados e volatilidade crescente aumentam a preocupação com a preservação de patrimônio e a previsibilidade dos retornos. Nesse contexto, cresce a busca por ativos capazes de oferecer geração recorrente de caixa e menor correlação com os mercados tradicionais. O investidor institucional passou a buscar menos dependência de valorização de mercado e mais geração de renda. O foco deixou de ser apenas crescimento patrimonial e passou a incluir previsibilidade, proteção e fluxo de caixa", afirma Valdir Piran Jr., fundador e CEO da Intra A ascensão do crédito privado Poucos segmentos se beneficiaram tanto dessa mudança quanto o crédito privado. Nos Estados Unidos e na Europa, o chamado private credit já movimenta mais de US$ 2 trilhões e se consolidou como uma das classes de ativos que mais crescem no mercado financeiro global. Grandes gestoras internacionais ampliaram significativamente suas operações de crédito nos últimos anos, atraindo recursos de investidores institucionais em busca de retornos mais previsíveis e menos dependentes da volatilidade das bolsas. No Brasil, a tendência segue a mesma direção. A expansão dos FIDCs, debêntures, notas comerciais e estruturas de recebíveis ampliou a participação do mercado de capitais no financiamento das empresas, reduzindo gradualmente a dependência do crédito bancário tradicional. Segundo dados da ANBIMA, a indústria de crédito privado segue entre os segmentos de maior crescimento da gestão de recursos no país, impulsionada tanto pela demanda dos investidores quanto pela necessidade de financiamento das empresas. O investidor institucional passou a buscar menos dependência de valorização de mercado e mais geração de renda. O foco deixou de ser apenas crescimento patrimonial e passou a incluir previsibilidade, proteção e fluxo de caixa", afirma Valdir Piran Jr., fundador e CEO da Intra — Valdir Piran Jr. A tecnologia como novo diferencial competitivo Mas a transformação não acontece apenas na alocação de recursos. Ela também ocorre na forma como o risco é analisado. O crescimento do crédito privado elevou a exigência por transparência, monitoramento e capacidade analítica. Investidores passaram a exigir mais do que retorno financeiro. Hoje, governança, qualidade da informação, rastreabilidade e monitoramento contínuo tornaram-se fatores decisivos para a alocação de capital. É nesse cenário que a tecnologia ganha protagonismo. Ferramentas de inteligência artificial, integração de dados e monitoramento em tempo real vêm transformando a maneira como gestores acompanham empresas, ativos e operações de crédito. O investidor institucional passou a buscar menos dependência de valorização de mercado e mais geração de renda. O foco deixou de ser apenas crescimento patrimonial e passou a incluir previsibilidade, proteção e fluxo de caixa", afirma Valdir Piran Jr., fundador e CEO da Intra — Valdir Piran Jr. Na Intra, essa visão tem orientado investimentos contínuos em tecnologia proprietária voltada para análise, originação e acompanhamento permanente das operações de crédito. Atualmente, a companhia possui aproximadamente R$ 4,5 bilhões sob gestão em crédito e já originou mais de R$ 20 bilhões em operações desde 2020. Uma mudança estrutural Para especialistas do setor, como Valdir Piran Jr., a atual migração de capital não representa apenas um movimento tático provocado pelos juros ou pela volatilidade dos mercados. Trata-se de uma mudança estrutural na forma como investidores enxergam risco, liquidez e geração de valor. A expectativa é que crédito privado, infraestrutura, ativos reais e tecnologia aplicada à gestão financeira continuem ganhando espaço nas carteiras institucionais ao longo da próxima década. O investidor institucional passou a buscar menos dependência de valorização de mercado e mais geração de renda. O foco deixou de ser apenas crescimento patrimonial e passou a incluir previsibilidade, proteção e fluxo de caixa", afirma Valdir Piran Jr., fundador e CEO da Intra — Valdir Piran Jr.

Com juros elevados, crédito mais criterioso e maior pressão sobre o caixa das empresas, especialistas apontam que a gestão financeira deixou de ser apenas uma área de suporte…

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