Filme 'Naza' foi vencedor do Prêmio Especial do Júri no festival de cinema e recebeu uma ovação de pé de 25 minutos quando foi exibido em 10 de setembro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os diretores Yuval Abraham e Rachel Szor posam com o Prêmio Especial do Júri por “Naza” durante a cerimônia de encerramento da 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, na Itália, em 12 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Yves Herma O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou nesta segunda-feira um documentário premiado no Festival de Veneza sobre a guerra em Gaza de alimentar a incitação global contra os judeus. O filme alega que as Forças Armadas israelenses aceitavam rotineiramente um elevado número de mortes de civis ao definir seus alvos no território palestino. “Naza”, dirigido pelos jornalistas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Veneza no sábado e recebeu uma ovação de pé de 25 minutos quando foi exibido na quinta-feira. O título do filme vem de um termo militar israelense usado para designar o número esperado de “vítimas colaterais” e é construído a partir de entrevistas anônimas com oficiais de inteligência e soldados envolvidos na guerra. “É chocante. Estamos lutando contra a incitação antissemita global e, quando ela vem de dentro, é intolerável”, disse Netanyahu em um vídeo publicado no Telegram. “E agora dois diretores israelenses que retratam as Forças de Defesa de Israel (FDI) como criminosos de guerra recebem aplausos no Festival de Veneza.” ''É chocante. Estamos lutando contra a incitação antissemita global e, quando ela vem de dentro, é intolerável', disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyhu sobre o documentário 'Naza' — Foto: Ronen Zvulun/AP As declarações de Netanyahu foram feitas após um comunicado do chefe das Forças Armadas de Israel, Eyal Zamir, que afirmou que o filme constitui um ataque ao Estado de Israel. “Com base no que foi publicado até agora, este não é um filme que faz críticas às FDI, nem uma tentativa de estabelecer a verdade. Ele se baseia em acusações de libelo de sangue, distorções deliberadas da realidade e acusações graves e falsas contra soldados e comandantes das FDI”, disse Zamir. As Forças Armadas afirmaram que Zamir instruiu o procurador-geral militar, cujos poderes legais se restringem às Forças Armadas, “a examinar e dar andamento a possíveis medidas legais relacionadas ao filme e às pessoas envolvidas nele”. Os cineastas não puderam ser contatados imediatamente para comentar. “Acreditamos que a negação de um crime é o que ajuda a perpetuá-lo e é por isso que é especialmente importante para nós que os israelenses assistam a este filme; é o nosso país que está cometendo esses crimes”, disse Abraham em seu discurso ao receber o prêmio no sábado. As autoridades de saúde de Gaza afirmam que mais de 73 mil palestinos, a maioria civis, foram mortos na campanha militar de Israel, que deixou grande parte de Gaza em ruínas. A guerra foi desencadeada pelo ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas, a maioria civis. Palestinos caminham em meio aos escombros de prédios residenciais destruídos durante a guerra, na Cidade de Gaza, em 15 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Mahmoud Issa Israel afirma ter tomado amplas medidas para evitar vítimas civis enquanto combate militantes do Hamas que se instalam em locais como hospitais, escolas e abrigos. O Hamas nega usar os civis de Gaza como escudos humanos.