Segundo o 'banco central dos bancos centrais', investidores estão cada vez mais cautelosos quanto à lucratividade de futuros investimentos em inteligência artificial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Impulsionada pela inteligência artificial, valorização das bolsas de valores mundiais está mostrando sinais crescentes de vulnerabilidade — Foto: Pixabay A valorização das bolsas de valores mundiais nos últimos dois anos, impulsionada pela inteligência artificial, está mostrando sinais crescentes de vulnerabilidade, afirmou nesta segunda-feira o Banco de Compensações Internacionais (BIS), órgão que reúne os principais bancos centrais do mundo. Em um novo relatório divulgado nesta segunda-feira, o BIS afirmou que os investidores estão se tornando “cada vez mais cautelosos” em relação à capacidade de os futuros investimentos em IA gerarem lucros. De acordo com reportagem da Reuters, a preocupação aumenta à medida que as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos continuam elevando seu nível de endividamento. — O forte impulso da inteligência artificial que vinha sustentando a alta dos mercados acionários e contribuindo para a resiliência da economia global no último ano, começou a apresentar sinais cada vez mais evidentes de vulnerabilidade — afirmou Frank Smets, chefe de análise econômica do BIS, na sexta-feira, antes da publicação do novo relatório do BIS. O relatório do BIS também destacou um cenário global de incertezas, marcado por pressões nas contas públicas, agravada pelas tensões geopolíticas e pela volatilidade dos preços da energia. A onda de endividamento das empresas de inteligência artificial, que já movimentou centenas de bilhões de dólares, pode estar ajudando a pressionar para cima os custos de financiamento no mercado de títulos públicos, refletidos nas chamadas taxas de rendimento (yields). O movimento se soma às preocupações que há anos cercam a sustentabilidade dos elevados níveis de dívida, aponta a Reuters. — Isso está ligado à fragilidade fiscal, que também se acentua com o aumento das incertezas na economia mundial — disse Smets, ao comentar as recentes tensões observadas nos mercados de títulos. Apesar desse cenário, o economista ressaltou que, de maneira geral, não há sinais de estresse nos mercados. Segundo ele, a disposição dos investidores para assumir riscos permaneceu “notavelmente resiliente” nos últimos meses. Apontado como uma espécie de ''banco central dos bancos centrais'', o BIS vem alertando regularmente, nos últimos anos, para os elevados níveis de endividamento mundial e para os riscos de possíveis bolhas nos mercados acionários. Ainda assim, Smets fez uma ressalva: a capacidade de os mercados manterem essa resistência no atual ambiente permanece incerta, principalmente se a pressão de alta sobre os rendimentos dos títulos continuar. Smets também reforçou o alerta feito na semana passada pelo presidente do BIS, Pablo Hernández de Cos, sobre os riscos que o avanço da inteligência artificial representa para a estabilidade financeira. — O que mais nos preocupa nesse setor é o rápido crescimento da dívida e da alavancagem financeira — afirmou o chefe de análise econômica do BIS, acrescentando que também chama atenção o fato de que muitas dessas operações de financiamento são pouco transparentes: — Em vários casos, elas ficam fora dos balanços das empresas e apresentam uma espécie de estrutura circular. O relatório também analisou em detalhes o volume de recursos do mercado privado que tem sido direcionado para o setor de inteligência artificial nos últimos anos. Segundo o documento, o endividamento agregado das empresas de tecnologia passou de cerca de US$ 22 bilhões (cerca de R$ 113 bilhões) em 2010, equivalente a 22% de todo o crédito privado, para mais de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões) em 2025, ou 44% do total. Considerando empréstimos de todos os tipos, o estoque de crédito em aberto chega a aproximadamente US$ 2,5 trilhões (R$ 12,8 trilhões).
Impulso da IA nos mercados globais mostra sinais de vulnerabilidade, afirma o BIS
Segundo o 'banco central dos bancos centrais', investidores estão cada vez mais cautelosos quanto à lucratividade de futuros investimentos em inteligência artificial









