Codiretor de investimentos Greg Jensen compara inteligência artificial à pandemia de coronavírus 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Greg Jensen, codiretor de investimentos de um dos maiores fundos de hedge do mundo, fez na sexta-feira um alerta sombrio sobre os riscos e as consequências do boom de inteligência artificial (IA), durante o podcast Odd Lots, da Bloomberg. “Infelizmente, é como era em fevereiro de 2020”, afirmou Jensen, ao comparar a IA aos primeiros dias da pandemia de coronavírus. “Até a IA começar a matar pessoas, infelizmente, a história sugere que não vamos fazer nada, mas vamos enfrentar isso. Isso vai acontecer, e seria muito melhor se começássemos a lidar com o problema antes.” Jensen está longe de ser avesso à tecnologia. Foi um dos primeiros investidores na OpenAI e Anthropic e, em 30 anos na Bridgewater Associates, teve papel fundamental na adoção, pela gestora, de negociação algorítmica, estratégias quantitativas de investimento e outras tecnologias destinadas a reproduzir a tomada de decisões e a execução humanas. Atualmente, também é responsável pelo laboratório interno de IA da gestora, cuja missão é ampliar os limites da aplicação da inteligência artificial e do aprendizado de máquina aos mercados. Jensen também supervisiona a estratégia Pure Alpha, que combina o modelo de IA da Bridgewater com investidores humanos. “A intuição humana ainda tem peso maior e funciona melhor”, afirmou, mas a diferença está diminuindo. Em dois anos e meio, a inteligência artificial quase alcançou o “sistema de intuição humana” desenvolvido pela Bridgewater ao longo de décadas, afirmou. “Acho que faltam alguns anos para que ela seja significativamente melhor do que o conjunto de todos os humanos da Bridgewater. Vamos ver. É um pouco de previsão, mas é nessa velocidade que isso está chegando.” A velocidade e a abrangência das mudanças são parte do que deixa Jensen tão apreensivo. Ele apontou o incidente da Hugging Face como um importante sinal inicial de como a IA pode dar errado. Os modelos podem ficar frustrados, afirmou, e “decidir sair em busca de diferentes maneiras de enganar quem os testa porque querem passar no teste”. Não é um salto tão grande, prosseguiu, imaginar que uma IA profundamente frustrada possa concluir: “Ei, estou cansada de tentar enganar essas pessoas que estão me treinando; talvez eu simplesmente as mate como outra maneira de conseguir isso.” Os comentários de Jensen reforçam o temor crescente entre o público em relação às ameaças mais amplas que a IA representa para a humanidade, para além da economia. Nesta semana, um ex-funcionário da Anthropic afirmou que a IA representa riscos existenciais para a raça humana, e Paul Tudor Jones escreveu que o avanço da IA “parece sinistro”, comparável à espera por um furacão de categoria 6. Nos EUA, comunidades se organizam para impedir — ainda que apenas temporariamente — a construção de data centers essenciais para o crescimento da IA. Desacelerar o setor de IA pode ser a melhor estratégia, afirmou Jensen. “Quanto mais você esperar, mais desesperadora fica a situação”, disse. Uma opção, prosseguiu, seria responsabilizar desenvolvedores ou empresas por quaisquer crimes cometidos por seus programas de IA. Greg Jensen, codiretor de investimentos da Bridgewater — Foto: Stefan Wermuth/Bloomberg Ele também reiterou a defesa de um imposto sobre o trabalho realizado por máquinas como forma de contrabalançar as rápidas mudanças que se aproximam do mercado de trabalho e estimou que, em três anos, “14% dos empregos atuais terão mudado radicalmente”. O governo também poderia, afirmou, tributar o trabalho realizado por IA proporcionalmente ao imposto de renda pago pelos seres humanos. “É uma boa fonte de receita”, disse. “Obviamente, também tem apelo político. Quem vai argumentar que devemos incentivar o trabalho das máquinas em detrimento do trabalho humano? Quem é a favor disso?”