Presidente americano diz que preocupações com os riscos da tecnologia e a reação negativa aos centros de dados fazem parte de uma “conspiração doentia” que beneficia a China 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Donald Trump discursa durante a cerimônia em comemoração ao 25º aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001, no Pentágono, em Washington, DC — Foto: Jim Watson/ AFP O presidente Donald Trump atacou Dario Amodei, CEO da Anthropic, após o executivo defender uma desaceleração no desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial mais avançados. A declaração intensifica sua oposição à criação de novas salvaguardas para a tecnologia. Em uma publicação na rede social Truth Social nesta segunda-feira, Trump classificou como uma “conspiração doentia” a reação negativa de eleitores aos data centers de IA e a crescente preocupação com os chamados modelos de fronteira, sistemas mais avançados e capazes de realizar tarefas complexas. Segundo ele, “o único que está feliz com isso é a China”. Os comentários de Trump foram além das declarações feitas no fim de semana, quando ele reconheceu a necessidade de algum tipo de regulamentação. O presidente, no entanto, tem rejeitado consistentemente os alertas sobre os riscos de segurança da IA e enfatizado a importância de desenvolver a tecnologia para manter a liderança sobre a China. O presidente se pronunciou dias após o CEO da Anthropic afirmar que o setor deveria pisar no freio no desenvolvimento dos modelos mais avançados, para que as empresas pudessem compreender melhor os possíveis perigos. Outros líderes da indústria de IA, incluindo Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceXAI, concordaram com o pedido de Amodei por uma desaceleração. Choque com a agenda política Isso coloca um setor do qual Trump depende como motor do crescimento econômico diretamente em conflito com o presidente republicano. Ele fez da aceleração da adoção da IA em todo o país o centro de sua agenda política. Seu governo adotou uma abordagem amplamente permissiva em relação à regulamentação da IA, formalizada em uma ordem executiva assinada no início de junho. Trump e sua equipe têm entrado repetidamente em conflito com a Anthropic e Amodei nos últimos meses. O Departamento de Defesa classificou a empresa como um risco para a cadeia de suprimentos depois que ela exigiu restrições ao uso militar de suas ferramentas. Apesar das críticas de Trump, os alertas sobre as ameaças existenciais representadas pela IA continuam vindo de integrantes do setor. Pesquisadores de IA da Microsoft divulgaram um novo conjunto de princípios orientadores que estabelece limites para o desenvolvimento de modelos de ponta. Em um manifesto de 15 mil palavras, a equipe afirmou que os modelos não deveriam ter direitos legais nem personalidade jurídica e que não deveriam ser desenvolvidos para escapar do controle humano ou enganar os usuários. Segundo o manifesto, o sistema não deve concluir uma tarefa caso isso exija violar seus princípios orientadores. O debate sobre a segurança da IA também paira sobre a próxima cúpula de Trump com o presidente chinês Xi Jinping, prevista para 24 de setembro. O governo chinês criticou os apelos de executivos americanos de tecnologia para limitar o desenvolvimento e impor restrições mais rígidas aos fabricantes chineses de modelos de IA. “Alarmismo, confronto e competição feroz só vão interromper o processo de governança global da IA e não servirão aos interesses de ninguém”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, em uma entrevista coletiva regular em Pequim, na segunda-feira.