Reunião entre ministros de Energia de países do Oriente Médio que debateria a gestão do Estreito de Ormuz é adiada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Exportações sauditas do petróleo pelo Mar Vermelho haviam se tornado uma importante alternativa, à medida que os fluxos provenientes do Golfo Pérsico diminuíram drasticamente — Foto: Bloomberg Os preços do petróleo dispararam depois que a Arábia Saudita interrompeu as operações em um importante oleoduto de exportação após uma série de ataques contra instalações petrolíferas do país, na semana passada, abalando o mercado ao interromper uma rota fundamental para contornar o Estreito de Ormuz durante a guerra comercial entre os Estados Unidos e o Irã. O petróleo Brent, referência internacional para os preços da commodity, subiu até 3,7%, chegando a mais de US$ 108 o barril, antes de reduzir os ganhos, enquanto o tipo Texas (WTI), referência nos EUA, era negociado perto de US$ 103. Às 8h12 (horário de Brasília), o Brent apresentava alta de 3,36%, cotado a US$ 108,13 o barril. Já o Texas era negociado a US$ 103,03, avançando 2,28%. Riad anunciou na noite de sexta-feira que, como medida de proteção, havia paralisado o oleoduto Leste-Oeste , que ganhou importância estratégica para o país depois que o Irã restringiu o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. A infraestrutura permite levar o petróleo produzido na região leste, rica em reservas, até a costa oeste saudita, de onde pode ser exportado sem depender da passagem por Ormuz. A decisão ocorreu após um ataque com drones lançado a partir do Iraque, onde atuam milícias xiitas apoiadas pelo Irã e integrantes da Guarda Revolucionária iraniana. Riad ainda não divulgou detalhes sobre a extensão dos danos nem informou por quanto tempo a rota permanecerá fora de operação. Fontes ouvidas pela Reuters apresentaram estimativas divergentes. Uma afirmou que os reparos podem levar de cinco a seis semanas, enquanto outra disse que os danos poderiam ser consertados em um prazo menor e que o oleoduto poderia voltar a operar parcialmente enquanto os trabalhos de manutenção ainda estiverem em andamento. A Arábia Saudita poderá esgotar seus estoques de petróleo destinados à exportação caso não retome, nos próximos dias, as operações de seu principal oleoduto até o Mar Vermelho, aponta a Reuters. A interrupção pode retirar do mercado até 4% da oferta global da commodity, segundo compradores de petróleo saudita e operadores do mercado. Reunião sobre Ormuz é adiada Na frente diplomática, foi adiada a reunião agendada para a tarde desta segunda-feira, em Salalah, cidade costeira de Omã, entre o Irã e vários estados do Golfo para criar uma rota marítima temporária através do Estreito de Ormuz, de acordo com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi. Segundo Albusaidi, o encontro foi adiado "no interesse do consenso”: “Continuamos comprometidos com o fortalecimento do diálogo que promova a estabilidade e uma cooperação duradoura em nossa região”, escreveu ele na rede social X, sem fornecer mais detalhes. A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, já havia decidido não participar do encontro, dificultando os esforços diplomáticos para reduzir a escalada das hostilidades em torno do Estreito de Ormuz. O Bahrein também já havia declarado que não participaria Os operadores do mercado também avaliavam os impactos regionais de um rápido avanço militar dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, ao longo do litoral do Mar Vermelho, no Iêmen. O avanço poderia permitir que o grupo ampliasse seu controle sobre o tráfego marítimo no estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais e mais estratégicas rotas de navegação da região. O fechamento do oleoduto aumenta as preocupações sobre possíveis interrupções no fornecimento global de petróleo justamente em meio à crescente tensão militar na região. Os preços do petróleo acumulam alta superior a 75% neste ano, à medida que o conflito entre Estados Unidos e Irã se espalhou pela região, afetando as exportações e provocando fortes turbulências no mercado de transporte marítimo. Pelo lado da demanda, o aumento recente das compras da China, maior importadora de petróleo bruto do mundo, também contribuiu para pressionar as cotações da commodity. A crise no Oriente Médio vem provocando impactos inflacionários sobre a economia mundial, com a alta dos preços do petróleo, do gás natural e de derivados, incluindo o diesel. Após dados dos Estados Unidos mostrarem uma aceleração da inflação em agosto, a expectativa predominante é de que o Federal Reserve, o banco central americano, eleve as taxas de juros nesta semana. Mesmo antes do ataque ao oleoduto Leste-Oeste, a produção de petróleo da Arábia Saudita já enfrentava pressão. Riad informou recentemente à Opep que sua produção de petróleo bruto caiu no mês passado ao menor nível desde 1990. Na Arábia Saudita, as reservas armazenadas em Yanbu poderiam sustentar as exportações por cinco a sete dias, mas, a partir desse ponto, ocorreria uma “grande interrupção”, disse Suvro Sarkar, chefe de pesquisa de energia do DBS Bank. Sem clareza sobre os reparos, a trajetória de curto prazo apontava para um teste de US$ 120 por barril, observou ele.