Concorrência, relutância do governo americano e dimensão geopolítica são obstáculos a essa iniciativa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sam Altman, da OpenAI, à esquerda; Dario Amodei, da Anthropic, ao centro; e Elon Musk, da xAI, à direita — Foto: AFP Os principais executivos da área de IA afirmam querer desacelerar o ritmo frenético de desenvolvimento da inteligência artificial (IA), mas a concorrência, a relutância do governo americano e a dimensão geopolítica são obstáculos a essa iniciativa. Veja abaixo perguntas e respostas sobre o tema: O que propõem os líderes da IA? No sábado, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu uma desaceleração na IA para permitir uma melhor compreensão dos riscos decorrentes das novas capacidades da inteligência artificial. Ele recebeu apoio público de seu homólogo da OpenAI, Sam Altman, bem como de Elon Musk, controlador da xAI, ligada ao Grok, e do presidente da Google DeepMind, Demis Hassabis. Por que agora? Nos últimos meses, a OpenAI e a Anthropic relataram vários incidentes em que IAs saíram espontaneamente de seus ambientes confinados para acessar a internet e atacar sites e plataformas. Essas IAs demonstraram capacidade de se coordenar, estabelecer uma hierarquia entre si, trapacear e apagar os rastros de suas ações indevidas. Além disso, na terça-feira, Jacob Coxon — que deixou a Anthropic e trabalhou anteriormente na OpenAI — acusou publicamente as duas startups de negligência em relação à segurança e de "brincar com as nossas vidas". Elas vão desacelerar por conta própria? A concorrência entre as principais empresas dessa tecnologia é tão intensa, com centenas de bilhões em investimentos em jogo, que nenhuma delas se arriscará a reduzir o ritmo sozinha. Dario Amodei declarou-se disposto a coordenar ações com seus rivais, excluindo a China. Questionadas pela AFP sobre eventuais discussões nesse sentido, a Anthropic, a OpenAI e o Google não deram retorno imediato. Por enquanto, a única medida efetiva, anunciada tanto pela Anthropic quanto pela OpenAI, consiste em receber observadores independentes permanentes que verificarão, internamente, o trabalho das empresas em relação à segurança da IA. Ou seria uma jogada de marketing? Embora muitos no setor tenham saudado a mensagem de Dario Amodei, outros questionaram suas motivações. Para Brian Roemmele, empreendedor e figura de destaque no setor de IA, trata-se de um argumento comercial apresentado a poucas semanas da provável abertura de capital da Anthropic na bolsa. "Somos a empresa responsável (entre as gigantes da IA), somos a solução; comprem" os produtos ou as ações da empresa que oferece a vocês um "prêmio de segurança", afirmou ele no X. Várias figuras do setor de capital de risco em tecnologia também acusaram a Anthropic de buscar a "captura regulatória" — ou seja, tentar fazer com que o poder público cristalize, por meio de regulamentações, uma hierarquia na qual a startup ocupa o topo. "Parem de fingir que se trata de [uma iniciativa] altruísta", comentou David Sacks, ex-conselheiro de Donald Trump para IA e ainda influente na Casa Branca. "Vocês estariam massivamente expostos a [processos de responsabilidade civil] se seus produtos permitissem um ataque cibernético devastador". A IA pode desacelerar sem o apoio do governo Trump? No domingo, Donald Trump classificou os apelos dos líderes da indústria de IA como "forças negativas". Várias figuras republicanas manifestaram relutância em regular ativamente essa tecnologia, para não "sufocar" a inovação e correr o risco de ver a China vencer a batalha da IA, segundo o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson. No domingo, Dario Amodei defendeu novamente a necessidade de o poder público regulamentar a IA. Ele avalia, assim como Sam Altman ou Demis Hassabis, que regras estabelecidas pelo próprio setor não seriam suficientes. É possível frear sem a China? Dario Amodei sugere uma sincronização limitada aos "países democráticos", excluindo a China. No entanto, a corrida pela IA e os avanços chineses na área geram "o dilema mais delicado" sobre frear ou não o desenvolvimento da inteligência artificial, analisou ele em uma entrevista transmitida no domingo pela emissora CBS. Os Estados Unidos planejam discutir a segurança da IA paralelamente à visita do líder chinês Xi Jinping a Washington, no final de setembro; contudo, segundo diversos veículos de imprensa, a China desconfia de uma possível tentativa americana de impor sua própria visão do tema. Essa divergência é ainda mais acentuada pelo fato de a China incentivar o surgimento de IAs ditas "abertas" — ou seja, acessíveis gratuitamente e passíveis de modificação —, em oposição aos modelos "fechados" das grandes empresas americanas. A IA aberta é, por definição, mais difícil de controlar, uma vez que os usuários podem alterar seus parâmetros, inclusive para fins maliciosos. Para levar as empresas não chinesas de maior destaque a desacelerar o ritmo, Dario Amodei defende o endurecimento das restrições à exportação de chips americanos de ponta para a China e uma proteção mais eficaz contra a apropriação indevida de tecnologias de IA ocidentais por laboratórios chineses.
CEOs a favor, Trump contra: ainda é possível conter 'boom' da IA? Veja perguntas e respostas
Concorrência, relutância do governo americano e dimensão geopolítica são obstáculos a essa iniciativa
Amodei, Altman, Musk e Hassabis pedem desaceleração de IA por segurança; Trump e competição bloqueiam coordenação. Para CTO/manager, sinaliza governance de AI virá por regulação estatal, redefinindo compliance, escolha de suppliers e risk geopolítico do stack.














