0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ulf Kristersson, primeiro-ministro da Suécia — Foto: Reprodução Os resultados das eleições nacionais da Suécia mostraram um empate técnico neste domingo (13), com uma contagem parcial da autoridade eleitoral indicando uma maioria de apenas um assento para o bloco de centro-esquerda da oposição, o que poderia impedir um afastamento do país de sua tradição liberal. O bloco, liderado por Magdalena Andersson, líder do Partido Social-Democrata, deverá conquistar 175 das 349 cadeiras do Parlamento sueco, o Riksdag, com base nos votos de 4.853 dos 6.312 distritos eleitorais do país, informou a autoridade eleitoral. O bloco governista de direita do primeiro-ministro Ulf Kristersson foi apontado como vencedor em 174 cadeiras, com a contagem dos votos ainda em andamento. Embora seja improvável que as eleições alterem a postura pró-Ocidente e pró-Ucrânia da Suécia, elas decidirão se a estratégia de Kristersson de adotar uma política de extrema-direita de repressão à imigração continuará. Dada a proximidade da disputa, o vencedor poderá não ser conhecido por vários dias, após a contagem de todos os votos do exterior. Em uma promessa de campanha, Kristersson quebrou um tabu de longa data ao afirmar que integraria ao governo os Democratas Suecos, partido de extrema-direita com raízes na ala mais radical do nazismo, com o objetivo de formar uma coalizão de maioria de direita. Muitos eleitores de direita dizem que uma vitória equivaleria a um endosso de políticas que ajudaram a conter a violência de gangues e a reduzir drasticamente a imigração. Mas alguns suecos expressaram cautela, dizendo que o convite de Kristersson à extrema-direita foi um passo longe demais. “Acho que será uma longa noite”, disse Maria Malmer Stenergard, ministra das Relações Exteriores e membro do Partido Moderado de Kristersson. “Talvez nem tenhamos os resultados até quarta-feira, quando chegarem os votos que foram depositados no exterior.” Kristersson, que esteve atrás nas pesquisas de opinião durante seus quatro anos no cargo, vinha se recuperando nas últimas semanas de campanha, enquanto Andersson e seus social-democratas perdiam terreno. Os críticos afirmam que as políticas de imigração do governo Kristersson, cujos incentivos e penalidades pressionam os migrantes a se adequarem mais às normas culturais suecas ou a deixarem o país, estão minando as liberdades civis. O sucesso eleitoral dos Democratas Suecos seria bem recebido pelos partidos de extrema-direita em ascensão na Europa, fortalecidos pela vitória do partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições estaduais alemãs da semana passada. A extrema-direita espera obter ganhos nas próximas eleições em toda a Europa, sendo a candidatura da Reunião Nacional à Presidência francesa no próximo ano potencialmente seu maior prêmio. “Não parece a Suécia” Ao votar no sábado (12) em Rinkeby, perto de Estocolmo, o líder de longa data dos Democratas Suecos, Jimmie Akesson, disse que o subúrbio, lar de uma das maiores populações sueco-somalis do país, “não se parece com a Suécia”. A Suécia foi durante muito tempo um dos países mais acolhedores da Europa para imigrantes, até Kristersson chegar ao poder, há quatro anos. Seu governo aboliu a residência permanente para refugiados, endureceu as regras de assistência social e intensificou as expulsões de pessoas sem direito de permanência. Os Democratas Suecos reconhecem que o partido foi fundado em parte por neonazistas e supremacistas brancos na década de 1980, mas afirmam ter eliminado esses extremistas de suas fileiras e se desculpado por seu passado. A festa de comemoração dos Democratas Suecos foi marcada por aplausos após uma projeção atualizada da emissora sueca SVT mostrar uma diferença muito menor do que a pesquisa de boca de urna inicial, que apontava a oposição de centro-esquerda à frente, com 51% dos votos. “Vocês não imaginam o quão nervoso estou agora. Parece que o trabalho da minha vida está por um fio”, disse Ludvig Aspling, membro do Parlamento e porta-voz do Partido Democrata Sueco para assuntos de imigração. “Vai ser uma disputa acirrada. Ainda temos uma chance”, afirmou.
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