Campanha foi marcada por ataques pessoais e acusação de propagação de notícias falsas; novo Gabinete pode levar semanas até ser anunciado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Militantes do Partido Social-Democrata celebram projeções que apontam para vitória da oposição na Suécia — Foto: Jonas EKSTROMER / AFP A oposição de centro-esquerda venceu as eleições gerais na Suécia neste domingo, de acordo com projeções iniciais da imprensa local, em uma votação acirrada e que trazia a expectativa de novo avanço da extrema direita em solo europeu, depois da vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) em uma votação regional. Até o momento, o premier Ulf Kristersson, que pode perder o cargo ao final da contagem, não se pronunciou ou sinalizou que irá reconhecer a derrota. De acordo com as projeções mais recentes da rede sueca SVT, o bloco liderado pelos Social-Democratas obteve 49,3% dos votos, o que deve permitir a recondução da ex-premier Magdalena Andersson ao poder. Os governistas ficaram com 49,2%. Com isso, aponta a SVT, os opositores teriam uma cadeira a mais do que os governistas no Parlamento, 175 a 174. Os resultados finais devem ser confirmados até segunda-feira, mas a definição do novo Gabinete pode levar mais algumas semanas. Em uma campanha marcada por ataques pessoais, acusações de propagação de notícias falsas, críticas à condução do país por Kristersson e até a influência aberta do ideário do presidente dos EUA, Donald Trump, a extrema direita, representada pelos Democratas Suecos (SD), foi mais uma vez protagonista. Apesar de não fazer parte do atual governo, o partido foi crucial para garantir a aprovação de projetos no Parlamento, e contava com uma vitória dos conservadores para finalmente assumir um lugar de fato no Gabinete ministerial. Nas pesquisas, o SD aparecia como segunda força, mas as projeções os colocam em terceiro, atrás dos Moderados, do premier Kristersson. Segundo analistas, ele não deve conceder a derrota imediatamente, e deve esperar a conclusão das conversas sobre um novo governo para se pronunciar. Comitê de campanha dos Democratas Suecos, de extrema direita, após anúncio de projeções eleitorais na Suécia — Foto: Pontus LUNDAHL / AFP Apesar de uma campanha intensa para afastar a imagem de extremista do partido, seu passado ligado a elementos neonazistas e a defesa aberta da xenofobia não atraíram mais eleitores para seu campo. O slogan da sigla na campanha era “Tornem a Suécia a Suécia novamente”, em mais uma clara referência ao movimento Maga (“Tornem a América Grande Novamente” de Trump nos EUA. Um plano para a concessão de um auxílio para que imigrantes retornassem a seus países de origem estampou folhetos de campanha e anúncios em ônibus, o que provocou um princípio de greve entre motoristas. As lideranças do SD tampouco ajudaram a passar uma imagem (ou ao menos a promessa) de moderação. O líder da sigla, Jimmie Akesson, foi acusado de misoginia após perguntar a Andersson, durante um debate, por que “ela estava tão irritada”. Outros membros da cúpula do partido enfrentaram alegações de proximidade com o governo russo e de propagarem propaganda pró-Moscou. Oficialmente, o SD rejeita as acusações e segue a linha predominante no ecossistema político sueco de apoio irrestrito à Ucrânia na guerra contra a Rússia, assim como a recente adesão do país à Otan, a principal aliança militar do Ocidente, liderada pelos Estados Unidos. De acordo com os primeiros números, o desconforto com a “normalização” da extrema direita pelo governo de Ulf Kristersson — estima-se que sua coalizão tenha recebido 10% de votos a menos do que em 2022 — pesou na hora das urnas. Em outra diferença em relação à última disputa, temas como a criminalidade perderam peso para as preocupações com a manutenção de investimentos em saúde e educação, assim como o estado da economia. Segundo analistas, campos em que os social-democratas têm vantagem. — Houve muitas mentiras e bate-bocas, mas, ao mesmo tempo, há tantas pessoas sensatas por todo o país — declarou Magdalena Andersson à rede SVT, pouco depois de votar neste domingo em um subúrbio de Estocolmo. — O foco está em vencer e definir um novo rumo para a Suécia. A expectativa sobre o voto na Suécia foi amplificada pela vitória da extrema direita nas eleições no estado alemão da Saxônia-Anhalt. Embora a AfD tenha obtido mais de 43% dos votos, bem à frente dos Democratas Cristãos (CDU), que comandam o governo federal, ela não conseguiu a maioria que necessitava para governar sem uma coalizão. Contudo, a sigla, hoje é a segunda maior do país, demonstrou capacidade de mobilizar eleitores em torno da insatisfação com os rumos do país e de uma pauta que tem no combate à imigração um pilar central. O resultado ainda pôs em xeque o compromisso do CDU de não se aliar à AfD, seja em nível regional, seja em nível nacional. — Não se trata apenas da Saxônia-Anhalt — disse Ulrich Siegmund, líder regional da AfD, a apoiadores, logo depois do anúncio dos resultados, no domingo passado. — É um sinal para toda a Alemanha, um sinal de autoconfiança.