'Agirei imediatamente para revogar a cidadania israelense desses criadores desprezíveis por traição ao Estado', declarou o ministro da Cultura, Miki Zohar, em post no X 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Diretores Rachel Szor e Yuval Abraham conquistam Prêmio Especial do Júri do Festival de Veneza 2026 por 'NAZA' — Foto: Tiziana FABI / AFP BUm ministro israelense anunciou neste domingo (13) que pretendia retirar a nacionalidade, por "traição ao Estado", dos realizadores do documentário "NAZA", que dá voz a militares que acusam o exército de Israel de ataques contra civis palestinos na Faixa de Gaza. Os jornalistas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor apresentam o depoimento de 24 membros das forças israelenses, que descrevem como realizavam bombardeios contra civis palestinos em Gaza utilizando dispositivos criados com inteligência artificial. O documentário "NAZA" ganhou, neste sábado (12), o prêmio especial do júri no Festival de Veneza. O longa será lançado no Brasil pela Vitrine Filmes, mas ainda não há previsão de lançamento. "Agirei imediatamente para revogar a cidadania israelense desses criadores desprezíveis por traição ao Estado", declarou o ministro da Cultura, Miki Zohar, em post no X. O ministro acusou os criadores do filme de quererem "prejudicar sua pátria para receber aplausos de antissemitas de todo o mundo". Cena de "NAZA", codirigido por Rachel Szor e Yuhal Abraham — Foto: Divulgação A privação da nacionalidade é legalmente possível em Israel, embora raramente seja aplicada. A Suprema Corte ratificou, em 2022, a possibilidade de o Estado retirar a nacionalidade de pessoas que tenham demonstrado falta de "lealdade", ao cometerem, por exemplo, atos de espionagem ou traição. A lei foi, além disso, ampliada em 2023 para abranger também pessoas condenadas por "terrorismo". Na prática, é necessário que o ministro do Interior solicite, que o da Justiça aprove e que o Judiciário valide a medida. O título do filme, "NAZA", faz referência justamente ao eufemismo utilizado pelos serviços de inteligência israelenses para indicar o número de civis que provavelmente morrerão no bombardeio. O exército israelense rejeitou "categoricamente" essas acusações e criticou o uso de depoimentos anônimos no filme, afirmando que as identidades dos denunciantes "não podem ser verificadas". Os bombardeios israelenses em Gaza causaram mais de 73.000 mortes de palestinos desde outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, cujos números a ONU considera confiáveis. A ofensiva contra o território ocorreu após um ataque de militantes do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que causou a morte de 1.221 pessoas, segundo um levantamento da AFP baseado em números oficiais israelenses.