Fique diante do quadro "Sun Rising Over Water" (1825-30), de Joseph Mallord William Turner, e algo estranho costuma acontecer. A pintura prende sua atenção, mesmo que você tenha dificuldade em dizer o porquê. Talvez seja a cor, o equilíbrio, a composição ou a estranha quietude que a obra parece transmitir.
Seja o que for, você sente isso muito antes de conseguir explicar. E a pessoa desconhecida ao seu lado, olhando para a mesma tela com o mesmo espanto nos olhos, muito provavelmente também sente isso.
Costumamos dizer que "a beleza está nos olhos de quem vê". Mas mostre a praticamente qualquer pessoa uma paisagem montanhosa enevoada chinesa da dinastia Song ou a figura delicadamente pintada da Mona Lisa, e quase todos concordam que algo impressionante está se revelando diante deles.
A beleza parece algo intensamente particular e, ao mesmo tempo, continuamos descobrindo que a compartilhamos coletivamente. Essa contradição é um dos enigmas de longa data da "neuroestética" —a ciência que estuda como o cérebro responde à arte e à beleza. Como nosso senso de beleza realmente se forma no cérebro?
Em nosso estudo mais recente, publicado na revista científica Nature Communications, tentamos mapear essa experiência compartilhada. Descobrimos que, em vez de representá-la como uma entidade única, o cérebro divide a experiência estética em duas vertentes principais. Uma vertente lida com o que uma imagem mostra, seja uma paisagem, um objeto ou uma figura.






