0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro cobrou Daniel Vorcaro pagamentos que seriam para o financiamento do filme sobre o pai, Jair Bolsonaro — Foto: Montagem feita pela Editoria de Arte A descoberta de que o Havengate, o fundo que recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme Dark Horse, permaneceu “inoperante” por quatro anos, desmonta a versão apresentada por Flávio Bolsonaro para explicar sua utilização, quando vieram à tona mensagens trocadas por ele com o dono do Master a respeito da cinebiografia de Jair Bolsonaro. De acordo com informações reveladas pelo relatório da Polícia Federal tornado público a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, o Havengate é sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto. Criado em 2020 para a incorporação de um empreendimento imobiliário que nunca foi adiante, ele estava “inerte” até receber a primeira remessa de U$ 2 milhões, em fevereiro de 2025. É uma situação bem diferente da descrita pelo senador e candidato à presidente pelo PL em entrevista à Globonews, em maio passado. Na ocasião, ele disse que o Havengate era um fundo exclusivo criado para a realização do filme, e justificou não poder apresentar a íntegra do contrato com dono do Master pelo fato de o fundo ser uma estrutura jurídica nos Estados Unidos. “É importante falar que esse fundo é fiscalizado pela SEC, que é a tipo a CVM (Comissão de Valores Imobiliários) dos Estados Unidos, que é um órgão sério, é um órgão que faz a auditoria, o fundo presta contas para esse órgão de fiscalização do governo americano. É um órgão muito sério", disse ele na entrevista. A SEC é a autarquia que supervisiona o mercado de capitais norte-americano e, além das companhias abertas, também fiscaliza fundos que emitem cotas e títulos para investidores. Mas não há no site da SEC registros do Havengate como uma das companhias de seu acervo e nem informações sobre investidores além de Vorcaro que tenham aplicado dinheiro nele. “O fundo permaneceu juridicamente ativo, mas operacionalmente inerte por quase quatro anos, sem qualquer atividade pública registrada — até receber, em 13/02/2025, a primeira remessa de US$ 2.000.000,00 proveniente da ENTRE INVESTIMENTOS para financiamento do filme”, aponta o relatório da PF. “A reativação de um fundo originalmente criado para fins imobiliários, dormente por anos, sem lastro em qualquer operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica, constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade entre o perfil do veículo financeiro utilizado e a destinação declarada dos recursos”, diz relatório da PF. Uma das linhas de investigação da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) é verificar se os recursos também foram usados para financiar o autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Na mesma entrevista à GloboNews em maio, Flávio também declarou que escolheu o fundo de Paulo Calixto para gerir os recursos de “Dark Horse” porque o advogado era da “confiança” de Eduardo Bolsonaro, sem que a verba pudesse beneficiar o irmão nos Estados Unidos, onde ele está em autoexílio. Dentre os arquivos que constam nos autos tornados públicos nesta sexta-feira, no entanto, há uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que afirma que Eduardo orientou a gestão dos recursos para o exterior. O documento se baseia em mensagens trocadas entre o ex-deputado e o publicitário Thiago Miranda, responsável por intermediar o contato dele com Vorcaro. “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático”, diz a PGR, com base em investigações da PF. Operador de Vorcaro fechou delação Conforme revelado pelo blog nesta semana, o operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, confirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) em seu acordo de colaboração premiada ter realizado ao longo do ano passado sete transferências bancárias para o fundo Havengate que totalizam US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época) a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro. Na tarde de terça-feira (8), a defesa de Mineiro teve uma audiência de aproximadamente 20 minutos com um juiz auxiliar do gabinete do relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para confirmar aspectos do seu acordo de colaboração, como a voluntariedade, a regularidade e a legalidade da negociação. É uma etapa prevista na lei e que antecede a decisão do ministro de homologar o acordo. Além das transferências bancárias para o Havengate, Mineiro relatou aos investigadores ter efetuado uma série de entregas em dinheiro vivo, inclusive em malas, para terceiros indicados por Vorcaro. Mas o delator alegou que não sabia para que finalidade seriam os repasses. As transferências bancárias ao Havengate, em tese, seriam destinadas à produção de “Dark Horse”, mas uma das linhas de investigação da PF e da PGR é verificar se os repasses também não serviram para financiar o autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O filho 03 de Bolsonaro se mudou para o Texas em fevereiro de 2025. sob a alegação de estar sofrendo perseguição política no Brasil. As parcelas ao Havengate foram efetuadas entre fevereiro e setembro de 2025 – o sétimo pagamento, de US$ 1,66 milhão (cerca de R$ 9 milhões à época), foi revelado pela revista piauí.
Relatório da PF sobre fundo que recebeu dinheiro de Vorcaro nos EUA desmonta versão de Flávio Bolsonaro
Relatório da PF sobre fundo que recebeu dinheiro de Vorcaro nos EUA desmonta versão de Flávio Bolsonaro















