Segundo a decisão, a PF investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes que teriam sido praticados, em tese, por Flávio Bolsonaro no contexto do financiamento do filme junto a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. LEIA TAMBÉM O candidato a presidência da República, Flávio Bolsonaro, durante a convenção do Republicanos que oficializou a candidatura à reeleição do Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no Ginásio do Ibirapuera, zona sul de São Paulo, neste sábado (1°). — Foto: Marina Uezima/Agência O Dia/Estadão Conteúdo A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi consultada e não se opôs à abertura da investigação. O ministro determinou ainda que o caso fosse remetido à Polícia Federal para a realização das diligências que não dependessem de autorização judicial. O g1 tentou contato com Flávio Bolsonaro, mas não havia obtido retorno até a última atualização desta reportagem. Investigações O financiamento do filme de Bolsonaro é investigado em dois inquéritos perante o STF. ➡️ O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura os repasses feitos por Vorcaro — em que circunstâncias foram feitos, qual a origem do dinheiro, qual o montante exato e qual seu destino final. Investigadores suspeitam que parte dos recursos não tenha sido usada no filme. É no âmbito deste inquérito que Flávio consta na lista de investigados. ➡️ O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, investiga se a produtora Go Up Entertainment usou emendas parlamentares para bancar a produção. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme. ➡️ Havia ainda uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, para apurar um contrato de mais de R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura para instalação de pontos de wi-fi em bairros da periferia. O contrato não foi cumprido integralmente e existem suspeitas de que parte dos valores foi desviada. Esse inquérito passou a tramitar com Dino no STF. Financiamento do filme 🎥 O filme "Dark Horse" ganhou notoriedade após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, em que o filho do ex-presidente solicita recursos para financiar a produção cinematográfica. O banqueiro ajudou a financiar o filme, e as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, que pediu dinheiro e pressionava pelos pagamentos. Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões aos produtores do filme, via fundo nos Estados Unidos. Segundo o site "The Intercept Brasil", Flávio Bolsonaro teria negociado o repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar a produção. R$ 75,1 milhões - valor que a produtora diz ter gasto;R$ 61 milhões - valor que Daniel Vorcaro teria destinado ao filme via fundo nos EUA;R$ 134 milhões - valor que Flávio Bolsonaro teria negociado antes de Vorcaro ser preso;R$ 108 milhões - valor do contrato entre ONG de Karina da Gama e a Prefeitura de SP para instalação de wi-fi na capital paulista. Operação 'Make Up' O ministro Flávio Dino autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Make Up, realizada conjuntamente pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) nessa quinta-feira (11). A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. ➡️ Dino é o responsável por autorizar esse tipo de ação porque ele é o relator de processos no Supremo que investigam irregularidades no repasse desses recursos públicos, enviados por parlamentares para suas bases eleitorais. O ministro também determinou a aplicação de medidas cautelares contra Mario Frias, proibindo o parlamentar de deixar o país e de manter qualquer contato com os demais investigados no inquérito que apura desvios de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. A crise no STF A crise no STF envolvendo André Mendonça e Alexandre de Moraes começou a partir de decisões nas investigações sobre o Banco Master. Mendonça divulgou documentos da PF que apontaram uma suposta relação entre Moraes e Daniel Vorcaro. 🔎 Mendonça é relator de apurações relacionadas ao banco e de um inquérito sobre repasses para a produção do filme "Dark Horse". O episódio envolveu também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e, posteriormente, o ministro Flávio Dino. Antes da crise, já havia divergências entre o gabinete de Mendonça e a direção da PF sobre o andamento das investigações do caso Master. O relatório sobre a relação entre Moraes e Vorcaro será discutido no plenário do STF.