Ministro diz que integrantes do STF continuam sem acesso a 18 petições e 180 documentos e cobra liberação integral antes de julgamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão no STF após revelação de mensagens com Vorcaro. — Foto: Antonio Augusto/STF O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou nesta sexta-feira o ministro André Mendonça de promover um "levantamento seletivo e direcionado" de sigilos para proteger "determinado grupo político" e cobrou que os demais integrantes da Corte tenham acesso a todos os documentos relacionados ao caso Master antes do julgamento marcado para terça-feira. Em dois ofícios enviados ao presidente do STF, Edson Fachin, Moraes afirmou que ainda estão fora do alcance do colegiado 18 petições e 180 documentos de outros 13 procedimentos e pediu a disponibilização imediata da íntegra dos dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. A manifestação foi apresentada em resposta a um despacho de Mendonça, que afirmou que os procedimentos relacionados ao processo, sob sua relatoria, já tiveram seus sigilos levantados e estão integralmente disponíveis aos gabinetes dos ministros do STF Os documentos em questão reúnem elementos das investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, e com impacto sobre o julgamento de terça. Moraes contesta diretamente essa afirmação: "Não é o que consta dos autos". Para sustentar a afirmação, Moraes anexou ao ofício imagens do sistema do Supremo que, segundo ele, mostram a existência de peças sigilosas ainda não visíveis em diferentes procedimentos relacionados ao caso. "O levantamento seletivo e direcionado do sigilo realizada pelo Ministro André Mendonça, na proteção ostensiva de determinado grupo político, repete a ilegal conduta de direcionamento dos acordos de colaboração premiada e de determinações de diligências de investigação de ofício contra alvos predeterminados", escreveu. Moraes não identifica no ofício qual seria o "grupo político" que, em sua avaliação, estaria sendo protegido por Mendonça. A acusação, no entanto, amplia a troca pública de críticas entre os dois ministros em meio à crise instalada no Supremo pelos desdobramentos das investigações do caso Master. O ministro também sustentou que Mendonça, como relator, não pode selecionar quais elementos serão disponibilizados aos colegas antes da análise do processo. "Não cabe ao Ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento", afirmou. Moraes reiterou a Fachin o pedido para que seja garantido acesso integral aos documentos. Segundo ele, sem a medida, haverá "grave ferimento ao princípio do devido processo legal". Moraes afirma que, nas condições atuais, estão sendo retirados do conhecimento dos integrantes do STF 18 petições inteiras, além de 180 documentos existentes em outras 13 petições.