Líder das pesquisas para o governo do Rio, Eduardo Paes (PSD) encerrou nesta sexta-feira a série de sabatinas O GLOBO, EXTRA, Valor e CBN. Em uma hora e meia, o ex-prefeito da capital prometeu mudanças na segurança pública, incluindo a reformulação da secretaria, acusou Douglas Ruas (PL) de integrar o grupo de "delinquentes" que comandou o estado nos últimos anos e rebateu a estratégia do adversário de associá-lo a Sérgio Cabral. Também defendeu projetos ousados na área de transporte, sobretudo a linha 3 do metrô — que ligaria o Rio a Niterói e São Gonçalo. Veja abaixo, em cinco pontos, os principais momentos da sabatina. Segurança Tema prioritário da eleição fluminense, a segurança apareceu em diferentes momentos. Paes prometeu “tirar o crime de dentro do Palácio Guanabara”, acabar com a influência de políticos na área e repaginar a Secretaria de Segurança, que voltaria a unificar os comandos das polícias Civil e Militar. Ele também não descarta, caso eleito, incluir a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) sob o guarda-chuva da pasta. Ainda na seara da segurança, o político do PSD questionou o “lugar-comum” de que o principal problema seria a falta de serviços sociais. — O Rio tem um problema de segurança pública. Quando foi pacificada a Vila Kennedy, o lugar-comum era de que tinha que entrar com serviços sociais, de que o estado tem que entrar. A Vila Kennedy tem escolas, os serviços públicos estão lá. Não é tão chique quanto o Leblon, mas tem serviços públicos. Ele se colocou a favor da redução da maioridade penal, tema que voltou à tona no debate nacional: — Totalmente a favor. Se pode votar para presidente, pode escolher quem vai governar o estado, quem vai ser o prefeito da sua cidade, parto da premissa de que já tem capacidade de tomar suas próprias decisões Perguntado sobre a classificação das organizações criminosas como "narcoterroristas", classificou os movimentos de Donald Trump como "baboseiras". — Essas baboseiras de Trump não enchem a barriga de ninguém, não resolvem o transporte, não melhoram o Ideb — disse. — Eu quero ser governador do estado. Quero assumir para mim, não empurro com a barriga problema que é da minha responsabilidade. Se der certo, palmas para o Eduardo Paes. Se não der, (serei) mais um incompetente. No eventual governo, apontou, a política de retomada de territórios dominados pelo crime começaria pelo Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, reduto de Douglas Ruas. Relações políticas Paes também respondeu à estratégia de seu principal adversário, Douglas Ruas (PL), que busca associá-lo ao ex-governador Sérgio Cabral, de quem era aliado no passado. Segundo o candidato do PSD, ele nunca foi “empregado” de Cabral, tampouco "filhinho de papai", rótulo que vem tentando emplacar contra o candidato do PL por causa da relação com o pai, Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo. — Fui secretário dele (Cabral) por um ano. Fui candidato a prefeito, venci as eleições com apoio dele, mas não era uma candidatura “ungida”. O que se vê agora é um projeto político que começa na eleição do Witzel, a quem Douglas Ruas já serviu. Tem um projeto de Witzel, Cláudio Castro, e o plano deles era o Rodrigo Bacellar — afirmou. — Eu não era um empregado dele (Sérgio Cabral) como prefeito do Rio, mas passei alguns anos respondendo por essa relação. Tinha uma relação de independência, uma aliança para governar o Rio, mas as práticas são muito distintas. O ex-prefeito criticou em vários momentos a gestão Castro e figuras como Bacellar, que está preso no âmbito de investigação que apura o elo de políticos com o Comando Vermelho. Questionado sobre acenos que fez ao ex-presidente da Alerj no passado, alegou que não tinha ideia dos envolvimentos dele: — O sujeito estava de fato (crescendo como) um meteoro. Eu não sabia que era um meteoro do Comando Vermelho. O candidato foi provocado ainda sobre parcerias que fez durante suas gestões na prefeitura com nomes como os ex-secretários Chiquinho Brazão, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, e Lucinha, investigada por ligação com milícias. Segundo ele, as escolhas aconteceram antes do surgimento de denúncias. — Não coloquei nenhum desses personagens como candidato a prefeito ou governador, nunca tiveram protagonismo. Chiquinho Brazão foi indicação do partido, não havia nada que desabonasse a conduta dele naquele momento. No próprio caso da Marielle, o envolvimento do irmão dele havia sido descartado em determinado momento — disse. — A primeira coisa que fiz quando surgiu a suspeita: exonerar o sujeito. Nacionalização Também em temas políticos, Paes deixou claro que não tem interesse em nacionalizar a eleição do Rio. Apesar disso, alfinetou as escolhas da família Bolsonaro no estado, dado que o clã apoiou Wilson Witzel em 2018 e Castro em 2022. — No mínimo, Bolsonaro tem um dedo podre para o Rio de Janeiro — disse. — Eles enganaram os eleitores em 2018 com o Witzel, dizendo que era candidato do Bolsonaro, com aquela cara meio de sicário, de matador de aluguel. Ainda instado a falar da relação entre o jogo local e o nacional, afirmou que Ruas precisa ter o bolsonarismo como "muleta" na eleição. — O Douglas Ruas precisa de uma muleta e está usando o Bolsonaro. Meu candidato a presidente do Brasil chama-se Lula, mas não é Lula quem vai governar o estado do Rio — alegou, questionado se estava escondendo o petista da campanha. Relação com Ricardo Couto Outro tema político sobre o qual Paes falou foi o governo Ricardo Couto e todo o processo de judicialização que levou à permanência do desembargador como interino. Embora tenha sido beneficiado pela “neutralização” da máquina estadual, que saiu das mãos do PL, o ex-prefeito negou que tenha operado para isso e que seja próximo a Couto. — É uma situação inusitada que precisa ser esclarecida. A cadeia sucessória se rompeu. Castro foi cassado por corrupção, o vice dele (Thiago Pampolha) foi coagido, deram cargo para ele preparar a entrada do Bacellar, o terceiro da linha sucessória, que foi preso por ligações com o Comando Vermelho — elencou. — Não são coisas normais da política. É fruto das armações de um grupo de delinquentes que levou o crime para dentro do estado, e um deles é o Douglas Ruas. São todos sócios da violência, do crime organizado. Em relação ao trabalho em si de Ricardo Couto, Paes o parabenizou, mas disse que “falta muita coisa”. Segundo ele, seu governo limitaria a 5% o percentual de funcionários em cargos comissionados na máquina estadual, em alinhamento com o que fez recentemente a prefeitura do Rio. Transportes: promessa da linha 3 A parte de transportes foi aquela em que Paes deu mais detalhes de projetos que pretende viabilizar. — Nós vamos dar início às obras da linha 3 do metrô, vamos fazer com a Supervia o mesmo que fiz com o BRT, vamos acabar com o Riocard e licitar a bilhetagem eletrônica. Vamos reduzir a passagem dos ônibus intermunicipais — listou. O ex-secretário da pasta no governo Castro, Washington Reis, é hoje apoiador de Paes e tem a irmã Jane Reis como vice da chapa. O candidato não respondeu se reconduziria o ex-prefeito de Duque de Caxias à função. Durante a gestão passada, Reis chegou a anunciar a redução do preço das passagens do metrô para R$ 5, mas Bacellar, à época influente no governo, o exonerou quando estava com o comando do Palácio Guanabara durante uma viagem de Castro. — O que me lembro é que ele foi demitido pelo Bacellar, o que é um ótimo sinal, porque tentou baixar a passagem, mostrando que dava para baixar — disse Paes, sem se comprometer com a redução.