Com acesso gratuito, circuito de leitura mantido pela prefeitura de São Paulo, une literatura, quadrinhos e inclusão em um refúgio para leitores de todas as idades 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Acervo da Gibiteca reúne histórias em quadrinhos de diferentes gêneros e formatos — Foto: Divulgação Na contramão de uma rotina cada vez mais digital, o circuito de leitura do Centro Cultural São Paulo (CCSP), equipamento mantido pela Prefeitura de São Paulo, se consolida como um refúgio de cultura, conhecimento e encontros no coração da cidade. Com acesso gratuito e somando mais de 140 mil obras em seus acervos, essa rota literária inclui a Gibiteca Henfil e as bibliotecas Louis Braille e Sérgio Milliet. Para quem acredita que as pessoas estão perdendo o hábito de ler, inclusive livros físicos, os números de pesquisas provam o contrário. O consumo de livros impressos e digitais avançou no Brasil e alcançou 18% da população com 18 anos ou mais, de acordo com o recente Panorama do Consumo de Livros (CBL/Nielsen BookData). Enquanto isso, são esperados mais de 700 mil visitantes-leitores na Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026. Isso só para citar alguns exemplos. Com isso, o circuito do CCSP reforça sua importância não só para o público adulto, como também para crianças e adolescentes. É um conjunto histórico que passou a ser estruturado após a fundação do próprio CCSP, inaugurado em 1982. A aventura pelas páginas dos livros pode começar por sua principal unidade, a Biblioteca Sérgio Milliet, que presta homenagem ao renomado escritor, crítico de arte, sociólogo, professor, tradutor e pintor paulistano (1898-1966), considerado um dos nomes importantes da primeira fase do Modernismo no Brasil. Com 112,5 mil exemplares, a Sérgio Milliet detém o segundo maior acervo em bibliotecas municipais, atrás apenas da Biblioteca Mário de Andrade. Trata-se de um arquivo multidisciplinar, com foco em Literatura, Ciências Sociais, Artes, Ciências Exatas, Jornalismo e Informática, entre outras áreas do conhecimento. – É um público muito variado. Há muitos estudantes, concurseiros e outros leitores. Há muitas pessoas que ainda retiram livros para empréstimo –, observa o bibliotecário Gabriel Leite Macedo. No maravilhoso mundo das HQs Consideradas portas de entrada para a leitura, as histórias em quadrinhos têm seu próprio espaço de pesquisa, preservação e difusão na Gibiteca Henfil, cujo nome presta tributo a outra personalidade brasileira, o cartunista e chargista Henfil (1944-1988). É um local de referência no tema – criado em 1991 na Biblioteca Infantojuvenil Viriato Corrêa e, em 1999, transferido para o CCSP –, que concentra um catálogo com mais de 24 mil títulos, incluindo gêneros como aventura, ação, ficção científica e mangás. Destaque especial para seu acervo histórico, com publicações do jornal O Pasquim e uma primeira edição da revista A Turma da Mônica, autografada pelo cartunista Mauricio de Sousa, o “pai” da turma. Até o final do ano, a Gibiteca sedia, ainda, a Estação Nerd, uma parceria da prefeitura com a Editora Devir, com uma programação gratuita aos sábados, a partir das 14 horas, com jogos de tabuleiro, aulas sobre quadrinhos, mangás e bate-papos. Acessibilidade e tecnologia A acessibilidade e a inclusão também são focos de atenção desse circuito de leitura, com a Biblioteca Louis Braille, dedicada ao importante educador francês do século 19, idealizador do sistema de escrita e leitura em Braille. Referência na produção e disponibilização de materiais acessíveis, o espaço é especializado no atendimento de pessoas cegas ou com baixa visão. Criada em 1947 como Biblioteca Braille por Dorina de Gouvêa Nowill, respeitada educadora e ativista brasileira, e há 18 anos rebatizada com o atual nome, a Biblioteca Louis Braille concentra milhares de obras em Braille e áudio, incluindo títulos didáticos, técnicos, literários, infantojuvenis e periódicos. Esses materiais também podem ser consultados no próprio local ou emprestados. Para garantir plena autonomia aos visitantes, o espaço dispõe de 15 equipamentos de tecnologia assistiva de ponta. O acervo tecnológico conta com quatro óculos inteligentes OrCam MyEye – capazes de escanear textos e reconhecer rostos –, duas lupas eletrônicas, dois computadores equipados com o leitor de tela NVDA (que narra o conteúdo visual para os usuários), scanner digitalizador, linhas Braille, impressora adaptada e quatro máquinas de datilografia tátil. A biblioteca acessível também oferece o Curso de Leitura e Escrita Braille, ministrado gratuitamente pela professora Maria Elisa Poli, com direito a certificado. Publicaç ficam disponíveis para consulta do público — Foto: Divulgação Serviço: Local: Centro Cultural São Paulo (CCSP) – Rua Vergueiro, 1.000, Paraíso (ao lado da estação Vergueiro do Metrô – Linha 1- Azul). Gibiteca Henfil: De terça a sexta-feira, das 10h às 20h; sábados e domingos, das 10h às 18h. Biblioteca Louis Braille: De terça a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 18h. Biblioteca Sérgio Milliet: De terça a sexta-feira, das 10h às 20h; sábados e domingos, das 10h às 18h. Entrada: Permitida até 30 minutos antes do fechamento de cada biblioteca. Acesso e empréstimos: Gratuitos (empréstimos mediante apresentação de documento com foto e comprovante de residência).