Desde a sua primeira edição, a mística do Rock in Rio preconiza que o festival "raiz" tem que ser sob a chuva. As imgens do lamaçal em 1985 permaneceram na memória coletiva da mesma forma que o coro de "Love of my life" no show do Queen ou o rosto ensaguentado de Bruce Dickinson, após o vocalista do Iron Maiden bater o braço da guitarra acidentalmente na testa. No primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026 o sol até deu as caras, mas a chuva e o frio foram os protagonistas na Cidade do Rock. Os fãs de Sepultura, Bad Omens e Bring Me the Horizon entraram no clima mais "roots" do festival, com rodas de pogo com várias capas de chuva se esbarrando. Além disso, apresentações como a de Black Eyed Peas e Calvin Harris já podem entrar para a história das mais molhadas do festival. E tudo indica que o segundo final de semana seguirá da mesma forma. Antes mesmo de começar o festival, o público do Stray Kids já botou o figurino de plástico para aguardar a abertura dos portões, mais de doze horas antes do show desta sexta-feira (11). Relembre abaixo os shows sob chuva que entraram para a história do festival: O lamaçal de 1985 Público na chuva em 1985 — Foto: Jorge Marinho/17-1-1985 Realizada entre 11 e 20 de janeiro de 1985, a primeira edição do Rock in Rio teve as chuvas de verão como coadjuvante de apresentações de astros como Queen, AC/DC e Ozzy Osbourne. A primeira Cidade do Rock, montada em Jacarepaguá, viou seus 250 mil metros quadrados transformados em um imenso lamaçal. O público tentou se proteger como pode, com parte dos fãs se jogando na lama, em clima de Woodstock carioca. Alguns dos shows históricos da edição, como os da banda Queen ou do cantor Prince, escaparam das chuvas mais fortes. A mesmo sorte não tiveram artistas brasileiros como Alceu Valença e Elba Ramalho. A cantora paraibana teve que se apresentar debaixo de muita chuva e chegou até a apelar a São Pedro para estancar a tempestade, o que não aconteceu. "Energia de Elba Ramalho foi bem mais forte que a chuva", elogiou a crítico do GLOBO à época. Axl Rose canta com capa de chuva em 2011 — Foto: Marcelo Theobald Na quarto Rock in Rio, marcando sua retomada após dez anos da edição de 2001, o Guns N' Roses, que fazia sua volta após as apresentações de 1991, no Maracanã, encerrou o Rock in Rio 2011 no dia 2 de outubro sob intensa chuva, que começou a cair após o show do System of a Down. O público que não arredou pé viu Axl Rose subir ao palco por volta das 2h40 da manhã, usando capa de chuva amarela, óculos escuros e chapéu por cima da bandana para se proteger. O figurino lhe rendeu muitas comparações com o desenho do Pica-pau descendo as cataratas e rende memes até hoje. AlunaGeorge em 2015 AlunaGeorge e o palco molhado no Rock in Rio 2015 — Foto: Pablo Jacob Substituindo de última hora a cantora e DJ sueca Robyn, o duo britânico AlunaGeorge, formado pelo produtor George Reid e a cantora Aluna Francis, teve sua tarefa ainda mais dificultada pelo temporal que despencou sobre a Cidade do Rock no dia 27 de setembro de 2015. Além da chuva, o vento frio atrapalhou a performance da atração no Palco Mundo, em um dia que ainda teria A-ha e Katy Perry. Bon Jovi em 2019 Bon Jovi no Palco Mundo no Rock in Rio 2019 — Foto: Marcelo Theobald O primeiro final de semana do Rock in Rio de 2019 ocorreu sob uma chuva persistente, que marcou as apresentações de algumas das maiores atrações daquela edição. No sábado, dia 28 de setembro, os Foo Fighters, que voltou como headliner da última sexta-feira (4), levantou o público na chuva com hits como "Times like these", "Everlong" e"The pretender". No dia seguinte, o Bon Jovi, que voltava ao festival após apresentações em 2013 e 2017, mostrou que figurinha repetida também completa álbum, enfileirando sucessos como "This house is not for sale", "You give love a bad name" e "It's my life", com Jon Bon Jovi agradecendo aos fãs por esperarem o show mesmo na chuva. O mar de pulseiras coloridas e capas de chuva no coldplay em 2022 — Foto: Alexandre Cassiano Em 2022, a chuva voltou a dar as caras, incialmente no show de Post Malone, no Palco Mundo, no dia 3 de setembro, no primeiro final de semana do Rock in Rio. O rapper retribuiu a persistência do público, enfileirando hits, usando uma camisa do Flamengo e segurando uma bandeira do Brasil. O artista chegou a levar um tombo ao se empolgar enquanto cantava o sucesso "Better now". Poucos dias depois, a chuva voltou a aparecer em uma das apresentações mais concorridas do Rock in Rio 2022. Na penúltima noite do festival, em 10 de setembro, a chuva caiu forte na apresentação do Coldplay. Chris Martin comandou o show debaixo d'água e sob vento frio, com as milhares de pulseiras luminosas distribuídas para o público criando um espetáculo à parte, com um mar de capas de chuva e luzes sincronizadas com as músicas na plateia.
De Bon Jovi a Coldplay: relembre edições do Rock in Rio marcadas por shows sob temporal
Edição de 2026 tem apresentações sob chuva intensa: 'tradição' vem desde a primeira edição, com público em lamaçal em 1985








