A vida política de Emma Bonino começou com um crime. Em 1974, quando o aborto era ilegal na Itália, ela viajou para uma clínica clandestina em Florença para interromper uma gravidez não planejada.
"Voltando de trem à noite, decidi que nunca, nunca, nunca mais alguém deveria ter de sofrer essa humilhação", recordou mais tarde. Um ano depois, decidida a tirar o aborto das sombras, apresentou-se à polícia, transformando sua "infração" privada em um ato público de desafio.
A prisão ganhou as manchetes, alimentando uma campanha que acabou levando à legalização do aborto em 1978. Também a lançou no Parlamento pelo Partido Radical, uma força pequena, mas incansável, em defesa dos direitos civis.
Direta e de baixa estatura, Bonino foi uma defensora da justiça social e da igualdade de gênero, que buscava a controvérsia para promover suas muitas causas dentro e fora do país.
"Lutei por direitos a vida inteira, alertando as pessoas para defendê-los, porque eles não duram para sempre", disse à emissora estatal Rai em 2024.










