Marcas em dentes e resíduos químicos sugerem que caçadores-coletores da Indonésia consumiam sementes de areca, de efeito estimulante 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Arqueólogos descobriram que comunidades antigas usavam noz de betel, um estimulante natural, há 25.000 anos. — Foto: Reprodução Arqueólogos encontraram o que pode ser uma das evidências mais antigas do uso de substâncias psicoativas por seres humanos. O hábito de mascar ou chupar noz de betel, na verdade, a semente da palmeira de areca, pode ter começado há até 25 mil anos, durante a Era do Gelo, segundo estudo, publicado na revista Science Advances, que analisou restos humanos encontrados na Indonésia. A pesquisa, divulgada nesta terça-feira (9), examinou dentes de dois esqueletos de caçadores-coletores, datados entre 23 mil e 4.300 a.C. Os pesquisadores identificaram padrões incomuns de desgaste, compatíveis com o hábito de manter objetos duros e arredondados na boca. Resíduos químicos encontrados nos dentes também apontaram para o consumo de sementes de areca. Hábito pode ter provocado danos aos dentes Segundo Adam Brumm, professor da Universidade Griffith, na Austrália, o achado pode antecipar em milhares de anos as evidências conhecidas de consumo de substâncias que alteram o estado de consciência. — O hábito de chupar noz de betel, que surgiu há até 25.000 anos, pode ser a evidência mais antiga de uso de drogas no mundo — afirmou Brumm. Atualmente, a noz de areca é uma das substâncias psicoativas mais consumidas no mundo, atrás de álcool, cafeína e nicotina. O consumo prolongado, porém, pode ter tido um preço alto para os caçadores-coletores. O atrito das sementes teria provocado desgaste severo dos dentes, em alguns casos expondo a polpa e favorecendo dores e infecções. — Embora esse hábito possa ter sido um remédio para dor de dente, anos de sucção prolongada de nozes acabaram causando problemas dentários muito piores — disse o pesquisador.