A escalada protecionista promovida pelos Estados Unidos e pela União Europeia não será capaz de frear o avanço industrial e tecnológico da China, que é impulsionado por um modelo que há décadas promove uma competição interna acirrada por crescimento.

A avaliação é do economista chinês Hongbin Li, professor da Universidade Stanford, ex-docente da Universidade Tsinghua e autor de "The Highest Exam: How the Gaokao Shapes China" ("O Exame Supremo: Como o Gaokao Molda a China", que não foi publicado no Brasil), no qual escreve sobre o vestibular chinês, herdado de um milenar exame imperial.

Considerado uma das principais referências globais em desenvolvimento do país asiático, ele diz que as tarifas protegem setores ineficientes nas economias ocidentais sem alterar a dinâmica de mercado.

A liderança chinesa em setores como o de veículos elétricos decorre, para ele, de uma concorrência interna implacável, e não unicamente de subsídios estatais.

Segundo o economista, esse ambiente ultracompetitivo, no qual autoridades públicas locais disputam metas de crescimento econômico como executivos de empresas, gerou um excesso de capacidade instalada que não cabe apenas no consumo doméstico.