Antes de vender o primeiro automóvel no Brasil, a BAIC Motor decidiu que tipo de operação queria construir. A frase se repete nos discursos públicos da companhia, mas a métrica capaz de sustentar essa ambição permanece fora dos comunicados. O quinto maior grupo automotivo da China chegou ao País no fim de agosto com uma estrutura pensada para durar décadas e um silêncio sobre quanto está disposta a gastar para transformar essa promessa em fábrica, rede e marca reconhecida pelo consumidor.

Essa escala funciona como cartão de visitas da companhia. A BAIC (sigla para Beijing Automotive Industry ­Holding Co.) nasceu em Pequim, em 1958, e produziu o primeiro sedã totalmente chinês, o Jinggangshan. Passou por joint ­ventures com a Hyundai e a antiga DaimlerChrysler, comprou os direitos de propriedade intelectual da sueca Saab em 2009 e hoje detém participação de 9,98% no Grupo Mercedes-Benz, posição que a torna a maior acionista individual da montadora alemã. Em 2025, vendeu 1,75 milhão de veículos, exportou 308 mil unidades e mantém operação em mais de 140 países, com cerca de 130 mil funcionários e presença na Fortune Global 500 pelo décimo terceiro ano consecutivo.

A empresa vendeu 1,75 milhão de veículos em 2025 e detém 9,98% da Mercedes-Benz