Segundo investigação, ex-mandatário que esteve no poder entre 1996 e 1997 teve envolvimento em uma organização criminosa que vendeu de forma fraudulenta suprimentos médicos para Covid-19 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Abdalá Bucaram, que esteve no poder entre 1996 e 1997, poderá cumprir a pena de 9 anos e 4 meses em prisão domiciliar devido à idade — Foto: AP /Cesar Munoz Um tribunal do Equador condenou o ex-presidente Abdalá Bucaram a nove anos e quatro meses de prisão na noite de quarta-feira por seu envolvimento em uma organização criminosa que vendeu fraudulentamente suprimentos médicos durante a pandemia de Covid-19. Bucaram, de 74 anos, que esteve no poder de agosto de 1996 a fevereiro de 1997, poderá cumprir a pena em prisão domiciliar devido à idade, de acordo com a legislação equatoriana. Em declarações a jornalistas de sua casa nesta quinta-feira, Bucaram disse que recorrerá da condenação e questionou a imparcialidade do juiz, citando supostos ataques anteriores contra sua família nas redes sociais. “Não há crime; inventaram um julgamento absurdo baseado em mentiras”, disse Bucaram. Um dos filhos de Bucaram, Jacobo Bucaram, também foi condenado no mesmo caso. “Os réus formaram uma estrutura criminosa organizada que, de maneira reiterada e coordenada, cometeu crimes”, afirmou o Ministério Público em comunicado sobre a decisão. A Procuradoria-Geral acusou quatro pessoas de obter benefícios financeiros por meio da negociação da compra de cerca de 21 mil testes rápidos de Covid-19 e outros suprimentos médicos entre março e agosto de 2020, quando o Equador enfrentava um dos piores surtos da pandemia na região. O filho de Bucaram recebeu a mesma pena do pai. Entre os outros condenados, um ex-agente de trânsito recebeu pena de 13 anos e quatro meses de prisão, enquanto um cidadão israelense teve a pena reduzida para dois anos e oito meses por ter colaborado durante o julgamento. Bucaram acompanhou a audiência por videoconferência de um hospital na cidade costeira de Guayaquil, onde está internado devido a problemas cardíacos. Promotores disseram que agentes da polícia de trânsito forneceram segurança a dois estrangeiros que transportavam os suprimentos para a residência de Bucaram em Guayaquil. Tribunal criminal condenou Bucaram à prisão em um caso de corrupção envolvendo a venda ilegal de suprimentos médicos durante a pandemia de Covid-19 — Foto: AP/Cesar Munoz “Segundo a investigação, os envolvidos fingiam ser integrantes do corpo diplomático ou agentes da Agência de Combate às Drogas dos Estados Unidos (DEA)”, afirmou o Ministério Público em comunicado. Um dos estrangeiros envolvidos — identificado pelo Ministério Público como Shy D — foi assassinado em uma prisão de Guayaquil em agosto de 2020, dias depois de prestar depoimento no caso.