Segundo a PF, deputado e empresária teriam se associado "de forma estruturalmente ordenada com o objetivo de obter vantagens indevidas mediante direcionamento de recursos públicos federais" 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Karina Ferreira da Gama, dona da ONG Instituto Conhecer Brasil, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), na diplomação dos eleitos em 2022: Polícia Civil apura se contrato com prefeitura de São Paulo custeou filme de Bolsonaro — Foto: Reprodução/Redes sociais A Polícia Federal suspeita que o deputado federal Mário Frias e a empresária Karina Ferreira da Gama, produtora de filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, praticaram os crimes de desvio de recursos públicos federais, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação de documentos. Eles ainda não se manifestaram nesta quinta-feira, mas vêm negando irregularidades ao longo da investigação. As hipóteses são elencadas na decisão em que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou que a Polícia Federal cumprisse 49 mandados de busca e apreensão para investigar suposto desvio de emendas parlamentares para o filme Dark Horse. Segundo a PF, logo que a investigação foi instaurada por Dino, no final de junho, já havia "indicativos" de crimes de peculato, fraude em licitação ou contrato, contratação direta ilegal, falsificação de documento particular e falsidade ideológica e uso de documento falso, emprego irregular de verbas ou rendas públicas, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Com base nas diligências realizadas até agora, a PF suspeita que Frias e Karina, desviaram, entre abril de 2024 a julho deste ano, recursos públicos federais repassados ao Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à empresária, por meio de emendas parlamentares. Para tanto, teriam realizado "contratações com indícios de simulação, pagamentos sem comprovação suficiente da efetiva contraprestação dos serviços contratados e utilização de fornecedores com vínculos pessoais, políticos ou comerciais" com o próprio grupo investigado. Ainda de acordo com os investigadores, a dupla também teria, enquanto "representante das empresas contratadas com as emendas parlamentares investigadas", lavado o dinheiro proveniente de supostos desvios de recursos públicos federais. Segundo a PF, eles fizeram "transferências para pessoas físicas e jurídicas interpostas" e emitiram documentos para "conferir aparência de licitude às operações e subsequente reinserção dos valores no sistema econômico formal". A representação que levou à operação aberta nesta manhã ainda indica que Frias, Karina e outros investigados teriam se associado "de forma estruturalmente ordenada com o objetivo de obter vantagens indevidas mediante direcionamento de recursos públicos federais, celebração de contratações simuladas, produção e utilização de documentos falsos e ocultação da destinação final dos valores recebidos". Frias e Karina teria então dado uma "aplicação diversa da estabelecida nos instrumentos de parceria a recursos públicos federais oriundos de emendas parlamentares", diz a PF. Eles fizeram gastos e contratações "incompatíveis com as finalidades aprovadas, causando potencial prejuízo à execução dos projetos financiados pela União", apontam os investigadores. A PF coloca Frias como um gestor do ICB e da Academia Nacional de Cultura, indicando que ele e Karina teriam realizado contratações custeadas com recursos públicos federais sem seguir requisitos legais, "favorecendo interesses particulares em detrimento dos princípios da administração pública". Ainda segundo a corporação, o deputado ainda teria "patrocinado interesses privados perante órgãos da Administração Pública Federal responsáveis pela aprovação, liberação, acompanhamento ou fiscalização de recursos oriundos de emendas parlamentares". A Karina, especificamente, os investigadores também imputam a suposta falsificação de contratos, orçamentos e documentos de contratações entre suas ONGs e o Poder Público. A PF diz ter identificado a "inserção de datas incompatíveis com a efetiva criação dos arquivos, produção extemporânea de instrumentos contratuais e elaboração de documentos destinados a conferir aparência de regularidade a contratações já efetivadas". Para a corporação, a produtora ainda inseriu, em sistemas oficiais, "documentos material ou ideologicamente falsos" para atestar a suposta regularidade das contratações e justificar pagamentos realizados com recursos públicos federais.