0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Deputado Mario Frias (PL-SP) — Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados Alvo de operação da Polícia Federal (PF) que investiga suposto uso de dinheiro público, por meio de desvio de emendas, para o filme "Dark Horse", o deputado federal Mario Frias (PL-SP) está proibido de deixar o país e de se comunicar com outros investigados. A medida foi determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A PF suspeita que Frias tenha destinado R$ 2 milhões em emendas para uma ONG ligada a Karina Gama, produtora do filme "Dark Horse", a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As investigações mapearam que parte do dinheiro repassado à ONG foi utilizado para contratar pessoas ligadas ao próprio Frias, incluindo até doadores de campanha dele. Karina Gama também foi alvo de buscas na operação desta manhã. A decisão de Dino atende a um pedido da PF, que vê risco de Frias e os demais investigados atuarem conjuntamente para alinhar versões e até destruírem provas. Ao analisar esse risco, o ministro lembrou que o parlamentar demorou a prestar informações ao STF quando indagado por seu gabinete no passado. Na ocasião, Frias estava no exterior e Dino precisou acionar a Presidência da Câmara. "É preciso recordar, ainda, que o Deputado Federal Mário Frias, estando em viagem internacional, retardou a prestação de informações", escreveu na decisão. "Não se pode ignorar, outrossim, que o cenário público nacional, lamentavelmente, deu provas recentes de que a evasão internacional é via cogitada por alguns parlamentares brasileiros ante a perspectiva da persecução Penal", ele acrescentou. Além de Frias e Karina Gama, a investigação envolve outras 27 pessoas que, segundo a PF, fariam parte de um sofisticado esquema para desviar recursos de emendas enviadas pelo deputado. Os investigadores rastrearam as pessoas e empresas supostamente envolvidas a partir de auditorias feitas pela Controladoria-Geral da União sobre contratações feitas por uma das ONGs de Karina. As investigações identificaram uma série de irregularidades nessas contratações, incluindo o uso da ONG para contratar pessoas ligadas a Frias, como ex-funcionários de seu gabinete e até um advogado do parlamentar. "Os elementos informativos coligidos até o momento sugerem, de fato, um risco ponderável de que os alvejados, cientes do avanço da investigação, consorciem-se ao redor da obstrução da atividade policial. Veja-se, nesse sentido, que a narrativa da representação sob exame revela uma possível cooptação em série de pessoas físicas e jurídicas que se encadeiam, em liames fáticos e jurídicos, com o propósito aparente de embaçar a rastreabilidade de valores oriundos de emendas parlamentares", afirmou Dino em sua decisão. Ainda segundo o ministro "o mesmo grupo de empresários e prepostos parece ter se articulado ao redor de uma concatenada ação obstrutiva da origem e do destino de valores públicos, sendo inverossímil, até o presente momento, que essas atitudes cessariam com a simples notificação estatal".