Wilson Feitosa, da Europa Filmes, afirma que não seria ‘responsável’ estrear produção diante dos inquéritos; operação da PF teve produtora e Mário Frias entre os alvos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mário Frias no set de Dark Horse ao lado de Jim Caviezel — Foto: Divulgação A distribuidora de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, decidiu aguardar o desfecho das investigações antes de definir o lançamento do filme nos cinemas. O diretor-geral da Europa Filmes, Wilson Feitosa, afirmou que não seria “responsável” colocar a produção em cartaz enquanto houver risco de algum impedimento à exibição. O futuro do longa ganhou uma nova incerteza nesta quinta-feira, após a Polícia Federal realizar uma operação para investigar suspeitas envolvendo seu financiamento. Segundo Feitosa, a distribuidora não trabalha neste momento com uma nova previsão de estreia. A avaliação é que qualquer decisão sobre a chegada do filme aos cinemas depende primeiro de um cenário em que não haja risco de questionamentos ou medidas que possam interromper sua exibição. Até lá, a orientação é não avançar com o lançamento. — O lançamento do filme terá que estar livre de possíveis impedimentos. Não dá para saber o desenrolar de tudo isso, mas não seria responsável fazer o lançamento deste filme com todos estes acontecimentos. Acho que deverá ser lançado quando não tiver mais possível bloqueio na exibição. Temos primeiro que aguardar o desenrolar de tudo isso — afirmou Feitosa ao GLOBO. — Estamos aguardando, é o prudente. A PFfez nesta quinta-feira uma operação para investigar suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção de “Dark Horse”. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. — Não sabia da operação, mas, se tem coisa errada, tem mais é que esclarecer — afirmou Feitosa. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares. Frias direcionou R$ 2 milhões em emendas em 2024 ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina. Os valores foram pagos em fevereiro e outubro de 2025. A PF investiga se recursos destinados a entidades foram desviados para empresas relacionadas à produção do longa. A nova cautela da Europa Filmes se soma a uma decisão anterior de deixar a estreia para depois das eleições. Em agosto, Feitosa afirmou que não considerava estratégico lançar “Dark Horse” durante a campanha e citou uma experiência que classificou como negativa com “Lula, o Filho do Brasil”, que chegou aos cinemas em 2010. O cronograma para a cinebiografia de Bolsonaro, porém, ainda não havia sido fechado. Agora, segundo o diretor, a definição de uma data dependerá também do desenrolar das investigações e da inexistência de possíveis obstáculos à exibição. A ação desta quinta-feira abre um novo capítulo nas controvérsias em torno de “Dark Horse”. O financiamento do filme já é investigado em outra frente, sob relatoria do ministro André Mendonça, aberta como desdobramento do caso Banco Master e que alcança diretamente as tratativas feitas pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para levantar recursos para a produção. Mensagens reveladas pela investigação mostraram que Flávio pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 130 milhões para financiar o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos. Nesta semana, Mendonça homologou a delação do operador financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, que confirmou à Procuradoria-Geral da República ter feito sete transferências, no total de US$ 12,3 milhões, para o fundo Havengate a pedido de Vorcaro. O fundo foi utilizado no financiamento do longa. Flávio não é alvo da operação autorizada por Dino. A ação, porém, provocou preocupação em sua campanha por recolocar “Dark Horse” no noticiário a três semanas do primeiro turno. Integrantes do entorno do senador reconhecem potencial de desgaste e demonstram cautela com a possibilidade de novos desdobramentos das investigações sobre um projeto do qual o candidato participou diretamente na busca por recursos. A estratégia é separar as duas frentes. Auxiliares ressaltam que a operação desta quinta-feira investiga o uso de emendas parlamentares, e não a atuação de Flávio na captação de recursos privados para o filme. Ao mesmo tempo, a campanha aposta que a crise no STF continuará ocupando o centro do debate eleitoral e limitando o espaço para “Dark Horse” na reta final. Aliados atribuem parte da melhora recente de Flávio nas pesquisas ao embate na Corte, que permitiu ao candidato reforçar críticas ao Supremo e deslocar parte das atenções das investigações relacionadas ao Banco Master. Na Quaest divulgada na segunda-feira, Flávio apareceu numericamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno, com 41% das intenções de voto para cada um.
Distribuidora de ‘Dark Horse’ vai esperar desfecho de investigações para lançar filme sobre Bolsonaro: ‘É o prudente’, diz diretor
Wilson Feitosa, da Europa Filmes, afirma que não seria ‘responsável’ estrear produção diante dos inquéritos; operação da PF teve produtora e Mário Frias entre os alvos







