Ela é uma das assessoras mais próximas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Apelidada de "impressora humana", Natalie Harp, de 35 anos, costuma acompanhá-lo com uma impressora portátil para produzir cópias em papel das informações que entrega ao presidente. Natalie também escreve mensagens para Trump nas redes sociais, envia textos a líderes mundiais em nome dele e possui um lugar reservado no Marine One, o helicóptero presidencial. Harp ocupa os cargos de assistente especial do presidente e assistente executiva do presidente. Segundo um relatório anual apresentado ao Congresso, recebe US$ 150 mil por ano, pagos pelos contribuintes. Embora raramente apareça diante das câmeras, ela é descrita como uma presença constante ao lado de Trump durante seu segundo mandato. De onde veio o apelido ‘impressora humana’ O apelido surgiu da rotina de Harp de carregar uma impressora portátil enquanto acompanha Trump. Dessa forma, ela consegue imprimir informações e entregá-las ao presidente em papel praticamente onde quer que ele esteja. Além dessa função, Harp é responsável por redigir mensagens que Trump publica nas redes sociais. Segundo a descrição de sua rotina, ela costuma permanecer acordada até tarde com o presidente enquanto os dois elaboram publicações. A assessora da Casa Branca, Natalie Harp, observa enquanto o presidente Donald Trump discursa durante uma reunião bilateral ampliada com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, no complexo presidencial em Ancara, Turquia, em 7 de julho de 2026 — Foto: Doug Mills / The New York Times Harp se tornou uma das pessoas responsáveis por controlar o acesso a Trump e funciona como um canal individual de informações fora da cadeia de comando habitual. Ela fornece ao presidente conteúdos encontrados nas redes sociais, inclusive materiais que circulam em ambientes menos convencionais da internet. Entre eles esteve um vídeo que Trump publicou e que retratava Barack e Michelle Obama como macacos. A função também permite que Harp ofereça ao presidente uma perspectiva diferente daquela concentrada na chamada “Washington oficial”, ambiente pelo qual Trump demonstra desconfiança. O interesse sobre Harp aumentou depois que foi revelado que ela estava entre as poucas pessoas que acompanharam Trump durante uma operação secreta para retirá-lo da Turquia diante de uma ameaça de ataque iraniano. Na operação, o presidente foi colocado dentro de um contêiner usado para transportar refeições e suprimentos de serviço de bordo. Harp estava entre as pessoas escolhidas para acompanhá-lo durante a retirada. Presente de US$ 45 mil Trump deu US$ 45 mil, cerca de R$ 229 mil, em dinheiro a Harp. Segundo o Washington Post, outras duas funcionárias da Casa Branca, Margo Martin e Chamberlain Harris, receberam valores semelhantes. As três descreveram os pagamentos como “presentes em dinheiro pelas festas de fim de ano”, de acordo com os formulários de declaração patrimonial citados pelo jornal. Um porta-voz da Casa Branca defendeu os pagamentos e afirmou que Trump tem uma tradição de dar presentes de Natal a pessoas de seu círculo, incluindo, ocasionalmente, funcionários e colaboradores. Segundo ele, os valores não estão relacionados aos cargos ocupados pelas funcionárias e são “completamente admissíveis de acordo com as normas legais e éticas pertinentes”. Em agosto, o senador democrata Jon Ossoff, da Geórgia, criticou Trump e mencionou diretamente Harp ao falar sobre o presidente. — Ele não quer fazer o trabalho. Quer construir seu salão de festas e viajar com Natalie em seu palácio voador aparentemente indefeso, presenteado pelo emir do Catar — disse, em referência ao novo Air Force One adaptado em uma aeronave dada pelo emirado. A declaração provocou reação entre setores ligados a Trump. Assessores da Casa Branca, parlamentares do Capitólio, influenciadores conservadores e pelo menos um integrante do Gabinete defenderam Harp no X. Houve acusações de sexismo vindas da direita e de sensibilidade excessiva vindas da esquerda. Trump não respondeu diretamente quando um repórter da CNN perguntou sobre os comentários de Ossoff. Uma conta nas redes sociais administrada pelo governo, porém, atacou pessoalmente o jornalista e fez referência aos filhos dele. A relação entre Harp e Trump é descrita como marcada por forte lealdade. Segundo o jornal americano New York Times, ela funciona como uma fonte constante de positividade para o presidente e procura animá-lo em momentos difíceis. Harp também acredita, ou afirma acreditar com veemência, que Trump venceu a eleição presidencial de 2020. No livro Regime Change, dos jornalistas Maggie Haberman e Jonathan Swan, Trump aparece descrevendo Harp como a única pessoa que o ama tanto quanto sua esposa e seus filhos. Ainda segundo a descrição atribuída a Trump, os demais funcionários deixariam o governo para ganhar dinheiro, enquanto Harp jamais o abandonaria. A porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt também defendeu a assessora: "Natalie Harp é uma das assessoras mais leais e trabalhadoras da equipe do presidente Trump", afirmou Leavitt em resposta a perguntas sobre a natureza da função de Harp e sobre por que ela foi escolhida para acompanhar o presidente na operação secreta de retirada usando um caminhão de entrega de comida. Uma rotina de trabalho intensa Segundo o New York Times, Harp não tira dias de folga, inclusive aos domingos, e acompanha Trump em diferentes compromissos e atividades. Vídeos compartilhados com o jornal americano mostram a assessora correndo por longas distâncias para acompanhar o carrinho de golfe de Trump enquanto ele circulava lentamente por seu campo na Escócia. Em uma carta enviada ao presidente, Harp escreveu: "Também sinto muito se fui motivo de constrangimento ao caminhar pelo campo na Escócia". Na mesma carta, acrescentou: "Quero que as coisas estejam sempre bem entre nós. Também sei que estive distraída durante toda a semana (esquecendo de comer ao longo dos dias e até esquecendo de dormir, conseguindo apenas algumas horas de sono por vez)". A carta termina com: "De todo o coração, Natalie". Relação começou antes da Casa Branca Harp cresceu na Califórnia. O irmão dela, de quem aparentemente está afastada, concedeu uma entrevista à CNN e disse que ela demonstrava uma forte obsessão por presidentes desde a adolescência. — Eu diria que, desde que ela tinha uns 16 anos, ela tem uma obsessão com, hum, meu Deus, como eu explico isso? Bom, ela escrevia cartas para outros presidentes, digamos assim — explicou, dizendo se referir a George W. Bush. A relação com Trump se aprofundou depois de Harp ter declarado que enfrentou um câncer ósseo. Harp já afirmou que teve câncer ósseo e disse que uma lei sancionada por Trump em 2018 permitiu que ela tivesse acesso a tratamentos experimentais. Ela nunca revelou publicamente quais tratamentos recebeu. Em 2019, Harp contou sua experiência à Fox News e chamou a atenção de Trump. Naquele mesmo período, o presidente a convidou para discursar na Convenção Nacional Republicana de 2020. Nos dois anos seguintes, ela passou a atuar como apresentadora da emissora de extrema direita One America News Network, repetindo alegações falsas sobre a eleição. Em 2022, entrou para a equipe de Trump. O que Harp diz sobre Trump Um documentário produzido no estilo War Room, gravado durante a campanha presidencial de Trump em 2024 e chamado Art of the Surge, mostra momentos da atuação de Harp. Em uma cena filmada em Mar-a-Lago, ela afirma: — Política nunca foi algo de que eu gostasse. Mas, quando fiquei doente, comecei a assistir aos debates republicanos. Ele foi meu primeiro contato com a política, e eu adorei. Tipo, esse cara entende. O filme também mostra Trump apresentando Harp em 2019, durante uma conferência da Faith & Freedom Coalition chamada “Road to Majority”. Na ocasião, ele disse: — Eles estavam se preparando para a morte dela. O nome dela é Natalie Harp e, por causa do “direito de tentar”, ela está viva agora e acho que está indo fenomenalmente bem. E alguém disse que ela está aqui. Você está aqui, Natalie? Onde está Natalie? Você poderia vir aqui, por favor? Harp atravessou o palco e o abraçou. No documentário, ela afirmou: — Eu tinha câncer e ele salvou minha vida, sancionou aquela lei. E, desde que descobriu, ele continuou em contato comigo. Certificou-se de que eu estava bem. O papel de Harp é comparado a uma estrutura que Trump já exigia quando era empresário do setor imobiliário em Manhattan. Na época, havia secretárias posicionadas do lado de fora de seu escritório, no 26º andar da Trump Tower, preparadas para agir a qualquer momento. Trump se referia a essas mulheres como “as garotas”. Harp é apresentada como alguém que ocupa atualmente uma função semelhante em alguns aspectos, permanecendo constantemente disponível ao presidente. Apesar de a lealdade a Trump ser comum entre integrantes da Ala Oeste, as demonstrações de devoção de Harp provocam desconforto em alguns colegas. No trabalho, ela pode ser uma figura relativamente isolada.
Natalie Harp: quem é a assistente dedicada de Trump, apelidada de ‘impressora humana’ e presenteada com R$ 229 mil em dinheiro
Aos 35 anos, funcionária acompanha o presidente de perto, leva uma impressora portátil para o Salão Oval e também escreve mensagens para ele nas redes sociais












