Sustentar o financiamento do SUS diante de uma crise fiscal iminente, organizar filas de atendimento e preparar o sistema para fatores de risco emergentes como a dependência em jogos e apostas. Esses são alguns dos principais desafios que o próximo presidente da República terá de enfrentar na área da saúde, segundo especialistas ouvidos pela Folha.
A lista inclui ainda a criação de mecanismos de coordenação entre municípios, estados e União, o fortalecimento da atenção primária e a incorporação de riscos climáticos.
Os gargalos vão além do debate sobre volume de recursos e passam também por questões de desenho institucional. É sobre esse último ponto que os programas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) —líderes nas pesquisas— mostram lacunas mais evidentes.
O plano de Lula não equaciona o embate entre o arcabouço fiscal e o piso constitucional da saúde. O de Flávio promete corrigir a tabela do SUS e migrar para pagamento por desempenho, sem detalhar custo ou fonte de recursos.
Tânia Mara Coelho, presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), afirma que estados e municípios assumiram responsabilidades crescentes sem que a participação financeira da União acompanhasse o ritmo.






