Improviso com os combustíveis mostra que o governo não tem plano estrutural para a alta do petróleoPaís precisa é de regras claras para lidar com imprevistos que vez por outra se repetem. Crédito: EstadãoA Petrobras anunciou que, a partir de 10 de setembro de 2026, deixará de aplicar o desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina A, devido ao fim da Medida Provisória nº 1.358/2026. Além disso, haverá um reajuste de R$ 0,19 por litro, elevando o preço para R$ 3,24. O impacto será neutralizado pela redução de R$ 0,63 nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins. O presidente Lula assinou medidas para evitar que a alta do petróleo afete os consumidores. O ministro Bruno Moretti destacou a independência da Petrobras na definição de preços.RIO E BRASÍLIA - A Petrobras anunciou na noite desta quarta-feira, 9, que deixará de aplicar o desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina A após o encerramento da vigência da Medida Provisória nº 1.358/2026, que sustentava a subvenção econômica criada pelo governo federal. Além do fim do abatimento, a companhia informou que fará um reajuste de R$ 0,19 por litro no preço de venda do combustível para as distribuidoras. Com isso, o preço médio do combustível nas vendas da Petrobras ao setor passará a R$ 3,24 por litro a partir desta quinta-feira, 10.Com a retirada dos R$ 0,44 de desconto em vigor até então e o reajuste de R$ 0,19, o aumento é de R$ 0,63. Segundo a estatal, o impacto do fim do desconto e do reajuste será neutralizado para distribuidoras e consumidores finais devido à redução de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins anunciada pelo governo nesta quarta-feira, 9.Anúncio de aumento da gasolina ocorreu na noite de quarta-feira, 9 Foto: J. F. Diorio/EstadãoPUBLICIDADENo caso do óleo diesel, a Petrobras afirmou que aguarda a publicação dos atos legais para avaliar e implementar uma nova subvenção econômica à comercialização do produto, também anunciada pelo Executivo.A empresa reforçou ainda seu compromisso com uma atuação “responsável, equilibrada e transparente” e lembrou que, no acumulado desde dezembro de 2022, e considerando a inflação do período, o novo nível de preço representa queda de 12%, equivalente a R$ 0,40 por litro.O anúncio da estatal ocorreu horas depois da assinatura de uma medida provisória (MP) e de um decreto com novas medidas de subsídio aos combustíveis, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diante da nova escalada nos preços internacionais do petróleo - cujo barril passou dos US$ 100 nesta quarta-feira, 9. “A gente vai aumentar um pouco o subsídio, com imposto cobrado mesmo da Petrobras, para evitar que o preço da guerra, tanto na gasolina quanto no óleo diesel, chegue no bolso do povo brasileiro. (...) Nós não vamos permitir que essa guerra irresponsável chegue no seu bolso e muito menos no prato de comida do povo brasileiro”, disse Lula. ‘A Petrobras tem lá a governança dela própria’, diz ministroO ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que a Petrobras toma decisões sobre preços de combustíveis vendidos nas refinarias e a equipe econômica do governo olha os preços ao consumidor. Ele foi questionado sobre se há alguma combinação com a Petrobras para reajustar os preços dos combustíveis.Publicidade“A Petrobras tem lá a governança dela própria, e ela que toma as decisões sobre preço, aqui a gente sempre olha preço final ao consumidor”, disse em coletiva de imprensa.Leia tambémLula assina decreto e MP para ampliar subsídios a combustíveis após nova escalada do petróleoPetróleo acima de US$ 100: apesar de subsídios, Brasil não está imune à pressão da alta; leia a coluna de Celso MingSegundo Moretti, a estimativa da equipe econômica, em função do preço do Brent e do crack spread, é que o contexto atual demanda uma medida “mais forte” em relação ao diesel e a medida de desoneração da gasolina com o valor um pouco mais alto do que a subvenção (de R$ 0,44 para R$ 0,63), para manter os preços estáveis. “Essa é a nossa conta, não há qualquer tipo de pactuação com a Petrobras, porque as instâncias decisórias são independentes”, sustentou. O crack spread é a diferença entre o preço dos produtos refinados (como gasolina e óleo diesel) e o preço do petróleo bruto.Vale ler tambémÉ hora de ajustar a grave situação fiscal e voltar a ter superávits para reduzir a dívida públicaRegime especial para data centers contemplará várias fontes de energia, diz secretário Leilão de baterias atrai grandes empresas e pode demandar R$ 25 bi em investimentos Publicidade