Treinador vai usar período 'morno' do calendário para testes e observações 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Carlo Ancelotti durante a convocação para os amistosos da seleção brasileira contra Austrália e Índia — Foto: Rafael Ribeiro / CBF Passada a ressaca da eliminação na última Copa do Mundo, Carlo Ancelotti indica que vai iniciar o novo ciclo atacando um dos maiores problemas diagnosticados em seu primeiro ano no comando da seleção: a escassez de jogadores numa série de posições. A lista de convocados para os amistosos contra Austrália (dias 25 e 29) e Índia (dia 3) mostra como o italiano está disposto a remexer no solo fértil do futebol brasileiro atrás de novos nomes. Sem competições pela frente, é tempo de garimpar. O movimento fica claro diante da quantidade de rostos novos, com pouca ou nenhuma experiência com a seleção principal e que sequer eram pedidos pelo torcedor. Novatos propriamente ditos são oito: os goleiros Pedro Morisco (Coritiba) e Otávio (Cruzeiro), os laterais Matheuzinho (Corinthians) e Mauro Junior (PSV), os zagueiros Arthur Dias (Athletico) e Jair (Nottingham Forest), e os volantes Breno Bidon (Corinthians) e Gabriel Bontempo (Santos). Ancelotti priorizou os jovens, o que se reflete na média de idade do grupo: 24,4 anos. São cinco a menos do que os da Copa (29,6). Um sinal de como a busca por atletas de uma geração mais velha, feita ao longo do primeiro ano do técnico no posto, não foi suficiente. A formação da lista deixa claro quais são os setores que mais geram preocupação: gol, laterais e meio-campo. Em menor nível, vem a zaga. Para debaixo das traves, o corintiano Hugo Souza é o único dos chamados com alguma experiência. Não que as portas estejam fechadas para Alisson, do Liverpool, com 33 anos. Mas o drama vivido na posição com sua lesão às vésperas da Copa e com a má fase de Éderson, de Bento e do próprio Hugo mostrou que é preciso abrir o leque de opções. — Cláudio Taffarel está avaliando todos os jovens do momento. Há, não só no Campeonato Brasileiro, mas na Europa também. Escolhemos estes porque estão muito bem, mas não significa que os outros estão excluídos. Nós conhecemos o Alisson muito bem e, se seguir sendo o melhor quando chegar próximo da Copa América, vai jogar. Mas agora temos que priorizar os mais novos — disse Ancelotti. No meio, Bruno Guimarães e Danilo foram os únicos mantidos do grupo da Copa. Com o ciclo de Casemiro e de Fabinho encerrados, ele aposta em Andrey Santos e Douglas Luiz como opções para primeiro homem e em Breno Bidon e Gabriel Bontempo como peças que podem ajudar na construção um pouco mais à frente. Chamou a atenção, porém, a ausência de um meia mais criativo. Principalmente diante das ausências de Matheus Pereira, preterido, e de Lucas Paquetá, em tese não chamado para que outros ganhassem uma oportunidade. A impressão é que, o italiano procurou, procurou e não achou, o que é naturalmente preocupante. — Precisamos escolher bem os meio-campistas nesse momento, porque temos um pouco de carência no meio. É isso que vai determinar o modelo de jogo para o futuro da seleção. Isso depende muito das características dos jogadores disponíveis no momento. A Espanha, por exemplo, pode propor determinado modelo de jogo porque tem muitos meio-campistas — afirmou o treinador. Nas laterais, a manutenção de Wesley (cortado às vésperas da Copa por lesão) e de Douglas Santos indica que os dois devem ser a base da posição em cada lado. Mas Ancelotti vai atrás de uma cartela de opções mais vasta. E foi justamente desta busca que saiu uma das principais surpresas da lista: Mauro Júnior, do PSV. Situação semelhante ocorre na zaga, onde o treinador manteve a dupla titular Marquinhos e Gabriel Magalhães, mas , ao mesmo tempo, ousou ao chamar os pouco cotados Arthur Dias e Jair para observar, assim como Vitor Reis. — Acho que esta é uma lista equilibrada — resumiu. A montagem do ataque, com talentos de sobra, foi no sentido inverso. Apesar das voltas de Pedro e de Samuel Lino, acabou sendo a posição mais previsível de todas. Inclusive com um voto de confiança em Endrick, mesmo sem ele estar sendo utilizado por José Mourinho no Real Madrid. — Não podemos esperar que um clube vai colocar um jogador para jogar. Temos que acompanha-lo, convocando e dando oportunidade de melhorar e jogar. É o que vamos fazer — comentou o treinador, sem deixar claro a quem se referia. Para montar esta lista, Ancelotti expandiu as vozes ouvidas e contou com o auxílio dos treinadores das seleções sub-17 (Carlos Eduardo Patetuci) e sub-20 (Paulo Victor). Além de buscar opções para o ciclo, que terá pela frente as disputas das Eliminatórias, da Copa América e do próprio Mundial, o italiano citou a Olimpíada, disputada por atletas sub-23, mostrando que o torneio de Los Angeles-28 também recebe atenção. O excesso de novatos tem a ver também com o calendário da seleção. Além de não ter competições pelos próximos meses, a CBF só conseguiu marcar amistosos contra seleções pouco competitivas. Em novembro, o Brasil enfrentará Singapura e Japão (o rival mais qualificado dos quatro). Logo, não há momento mais adequado para Ancelotti fazer este trabalho de garimpagem. A tendência é que a lista seguinte tenha este mesmo perfil. Isso não significa que as joias já lapidadas não tenham vez. As convocações de Bruno Guimarães, Raphinha, Vini Jr e da dupla Marquinhos e Magalhães mostram que a seleção segue tendo um eixo bem definido. — Não há porta fechada. A porta está aberta a todos. Lógico que agora eu prefiro focar meu trabalho com os jovens e acompanhar o progresso deles.
Ancelotti amplia buscas e 'garimpa' atrás de opções para carências da seleção, mas segue com a maior delas; análise
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