Operadores entenderam que, após a recente valorização por conta do cenário eleitoral mais apertado, o câmbio brasileiro pode ter passado por ajustes neste pregão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Dólar avança e real é pior entre 33 moedas com ajustes e cenário externo adverso — Foto: Paul Yeung/Bloomberg O dólar à vista exibiu valorização contra o real na sessão desta quarta-feira. Apesar de alinhado à direção dos pares, o real apresentou o pior desempenho do dia entre 33 moedas. Operadores entenderam que, após a recente valorização por causa do cenário eleitoral mais apertado, o câmbio brasileiro pode ter passado por ajustes neste pregão. Com os preços dos contratos futuros do petróleo acima de US$ 100, o risco global pode ter alimentado a cautela dos investidores. Encerradas as negociações do mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,51%, cotado a R$ 5,1116, depois de ter batido na mínima de R$ 5,0811 e encostado na máxima de R$ 5,1153. Já o euro comercial exibiu apreciação de 0,57%, cotado a R$ 5,9446. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, operava perto da estabilidade, em alta de 0,03%, aos 98,816 pontos. O dólar à vista devolveu parte dos ganhos recentes no pregão desta quarta-feira, em um dia de correção de euforia nos mercados de juros e de ações no Brasil. Após as pesquisas eleitorais mostrarem uma disputa presidencial mais apertada neste ano, houve um ajuste nos preços dos ativos locais ao longo da semana passada e ontem, mas, diante das incertezas externas, um ajuste pode estar orientando o movimento de hoje. O economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, lembra, em nota, que o cenário atual reúne forças em direções opostas para os ativos brasileiros. “A reprecificação eleitoral pode favorecer a Bolsa, o real e os juros domésticos por meio da expectativa de mudanças na condução da política econômica. Por outro lado, a escalada geopolítica, a alta do petróleo e a pressão sobre os juros internacionais podem limitar esse movimento e manter elevada a volatilidade”, diz o executivo. “Em nossa opinião, o noticiário eleitoral pode sustentar um desempenho relativamente mais favorável dos ativos brasileiros no curto prazo. O ambiente externo, contudo, continuará impondo limites a esse movimento, especialmente nos vencimentos mais longos da curva de juros.” O estrategista de câmbio para América Latina do banco canadense RBC Capital Markets, Luis Estrada, aponta em podcast que a exposição do Brasil ao petróleo e seus juros elevados são fatores favoráveis para o câmbio, mas o real já não está sendo negociado apenas com base nos fundamentos econômicos. Ele diz, ainda, que “os Treasuries americanos estão testando novas máximas de rendimento, o que torna difícil manter posições de ‘carry’ em mercados emergentes. Ao mesmo tempo, a recuperação do iene japonês sinaliza que os investidores podem estar reduzindo posições alavancadas de carry, enquanto a eleição brasileira se aproxima”. Neste contexto, Estrada afirma que o real está em uma situação sensível. “Isso não nos torna pessimistas em relação ao câmbio brasileiro, mesmo depois de a moeda ter tocado R$ 5,22 na semana passada. Mas a expressão mais clara da nossa visão está em operações de valor relativo, nas quais ficamos menos expostos ao dólar. Por isso, preferimos uma posição comprada em real contra o peso mexicano, apostando em uma rotação de volta para o Brasil.” No pregão de hoje, a taxa do dólar casado (a diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro para a cotação do dólar à vista) se manteve pressionada, mesmo após o anúncio de ontem do Banco Central sobre a realização do “casadão” amanhã. O spread da taxa do casado em relação à taxa efetiva dos Fed funds fechou o dia a 1,46 ponto percentual. Importante ressaltar que os dados do BC sobre fluxo cambial divulgados hoje mostraram que na semana passada houve saída forte de capital do país, na maior evasão semanal de recursos deste ano, o que pode explicar tamanha pressão no dólar casado.