Transação é avaliada, neste momento, entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões, e os bancos Bradesco, Santander e Citi estão na disputa para conceder o financiamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 As negociações entre a Amil e as gestoras Bain e Advent tiveram importantes avanços. O empresário José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, aceitou vender 100% da operadora de planos de saúde que adquiriu no fim de 2023. Essa era uma pré-condição dos fundos para seguir com as negociações. A transação é avaliada, neste momento, entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões. Os bancos Bradesco, Santander e Citi estão na disputa para conceder o financiamento, uma decisão que deve ser tomada mais perto de uma possível assinatura, segundo o Valor apurou. Ainda de acordo com fontes, há uma expectativa em torno de uma reunião marcada para amanhã (10) que, pode, enfim, definir a transação. Uma carta dirigida aos funcionários da Amil está sendo elaborada, mas seu teor não está totalmente fechado. Há ainda risco de o empresário desistir de última hora. As negociações nessas últimas semanas têm sido centradas nas garantias de possíveis passivos que possam surgir no futuro. Junior comprou a Amil de “porteira fechada”, assumindo os riscos — algo que Bain e Advent não querem. Cada gestora detém participação de 50% para compra da Amil. A operadora foi vendida, em dezembro de 2023, por R$ 11 bilhões, sendo que deste valor R$ 9 bilhões eram referentes a possíveis passivos de ações judiciais. Após dez anos de prejuízos sob comando da americana UnitedHealth Group (UHG), a Amil voltou a operar no azul com ajuda de reversões de provisões. No ano passado, a operadora teve um lucro líquido de R$ 5,4 bilhões. Deste valor, R$ 2,1 bilhões vieram de crédito tributário devido aos prejuízos de anos anteriores e R$ 1,4 bilhão foi um ganho contabilizado pela joint venture de hospitais firmada com a Dasa. O lucro vindo da operação propriamente dita foi de R$ 1,9 bilhão, de acordo com o balanço da operadora. Em 2024, a Amil foi beneficiada em R$ 1,2 bilhão ao reverter uma reserva exigida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para cobrir planos de saúde em que a mensalidade é inferior às despesas médicas. A Amil liderou um movimento junto à ANS para que essa provisão, conhecida como PIC, não precisasse mais de lastro, o que acabou beneficiando todo o setor. Pelo lado dos fundos, as negociações são lideradas por Irlau Machado, Marcelo Marques e Nilo Carvalho — três experientes executivos com passagem pela NotreDame Intermédica, operadora adquirida pela Bain Capital e posteriormente vendida à Hapvida. Caso a operação seja concluída, esse time é quem tocará a Amil. Apesar da reunião de amanhã e da expectativa de que uma decisão seja tomada em breve, o martelo não está totalmente batido. O desejo de Júnior sempre foi permanecer com uma fatia minoritária para participar de uma abertura de capital, quando o mercado estiver favorável. Num modelo semelhante ao que fez na Qualicorp. As negociações também envolvem o empresário ficar com alguns imóveis dos hospitais para locar as propriedades para a Amil, operação conhecida no mercado como “sale leaseback”. Caso a transação seja concluída, Júnior sai com um dos maiores ganhos do setor de saúde num período de menos de três anos após ter comprado a Amil de “porteira fechada”. Outros investidores e fundos, inclusive, a Bain olharam o negócio, mas recuaram. Nesses quase três anos, Júnior liderou as negociações para mudança nas regras de provisão junto à agência reguladora, fez uma joint venture de hospitais com a Dasa e adotou uma política concorrencial agressiva no Rio de Janeiro e em São Paulo, impactando as operações da Hapvida e Unimed Ferj. Mesmo que a Amil tenha parte de sua carteira deficitária por ter vendido planos de saúde com preço reduzido nesse ambiente concorrencial nos últimos anos, a percepção do mercado é o que time escalado para assumir a empresa, caso a operação seja concluída, consegue tocar a operação, uma vez que os três executivos chamados pela Bain têm forte experiência com produtos de baixo custo pela atuação na NotreDame Intermédica. Procurados pela reportagem, Amil, Advent, Bain e Bradesco não comentaram. Citi informou que não está envolvido no financiamento. Santander não retornou até o fechamento. A reportagem não conseguiu contato com os executivos. — Foto: Divulgação/Amil
Exclusivo: Negociação para venda da Amil avança; Júnior aceita vender 100% da operadora, segundo fontes
Transação é avaliada, neste momento, entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões, e os bancos Bradesco, Santander e Citi estão na disputa para conceder o financiamento








