A Meta deu mais um passo no desmonte do combate às fake news ao anunciar, nesta quarta-feira 9, o início dos testes das chamadas “Notas da Comunidade” na América Latina. Inspirado na plataforma X, do bilionário Elon Musk, o sistema transfere aos próprios usuários a responsabilidade pela checagem de conteúdo. Na prática, a iniciativa esvazia o trabalho de checadores profissionais e escancara a disposição da big tech em reduzir custos e se eximir do dever editorial sobre o fluxo de desinformação em suas redes.

A medida — que aos poucos se integra ao Facebook, Instagram e Threads para o público latino-americano — abre caminho para a substituição do programa de checagem profissional de fatos mantido com veículos jornalísticos e agências de verificação parceiras, modelo que a corporação de Mark Zuckerberg já havia descontinuado nos Estados Unidos no ano passado. O programa integrará as redes da Meta em 16 países da América Latina, todos de língua espanhola — portanto, até o momento o Brasil não faz parte da expansão do modelo.

A gigante da tecnologia defende que o recurso trará maior transparência e contexto ao usuário de suas redes, alegando que a abordagem da marca, “há muito tempo, tem sido fornecer informações que ajudem as pessoas a decidir o que ler, no que confiar e o que compartilhar”.