Candidato do PL à Presidência, senador criticou volta de diretor-geral ao comando da PF e pediu que presidente do STF suspenda liminar do ministro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Usando a mesma camisa do pai, Flávio repetiu o gesto do pai em 2018 e subiu nos ombros de um apoiador — Foto: Fabiano Rocha O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do PL à Presidência da República, classificou de “canetada ao arrepio da Constituição” a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a volta de Andrei Rodrigues à direção-geral da Polícia Federal (PF). A declaração foi feita durante uma agenda de campanha em Juiz de Fora (MG), onde Flávio participou de uma "motocarreata" nesta quarta-feira. Na ocasião, o presidenciável também acusou o magistrado de agir em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). — Ficam o ex-ministro da Justiça de Lula e seu próprio advogado armando uma farsa contra Bolsonaro, e agora eles estão promovendo todo esse caos. É uma canetada totalmente ao arrepio do que diz a Constituição. Espero sinceramente que o presidente do Supremo, Edson Fachin, tome, ainda hoje, alguma decisão, começando por suspender essa liminar do Flávio Dino e convocando imediatamente uma sessão plenária para que se decida sobre essas questões em aberto, de forma transparente — disse Flávio, antes de seguir no ato até o local onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi esfaqueado, durante a campanha eleitoral de 2018. Na véspera, o ministro André Mendonça havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF após afirmar que ele e servidores de seu gabinete foram alvo de monitoramento ilegal. O ministro também mandou a Corregedoria da PF abrir investigações de natureza penal e administrativo-disciplinar sobre a atuação de Andrei. Flávio apoiou a decisão e afirmou que um “grupo especial de Lula” na Polícia Federal havia sido “desmascarado oficialmente”. O candidato do PL chamou ainda Andrei de “pau-mandado de Lula” e disse esperar que a corporação voltasse a ter autonomia para “ir atrás de bandidos, e não de adversários políticos de Lula”. Flávio também acusou Dino de atuar politicamente em favor do governo Lula e afirmou que decisões do Supremo estariam contrariando precedentes da própria Corte e a Constituição: — Eu não sou parte do processo, mas está todo mundo vendo que o ex-ministro do Lula, que é o Flávio Dino, ele não tem processo para julgar, ele tem causa para defender, que é a causa do Lula. O Brasil virou a várzea que está acontecendo. Perderam qualquer pudor de tomar decisões contra os precedentes, contra a Constituição, para se protegerem, né? Em sua decisão desta quarta-feira, o ministro Flávio Dino afirmou que, enquanto o plenário do Supremo não se manifestar sobre o afastamento de Andrei, investigações urgentes e com diligências em curso não podem ser interrompidas em razão de um “caos administrativo” imposto à PF pela decisão do ministro André Mendonça, que determinou, nesta terça-feira, o afastamento de Andrei do comando da corporação. “E, o que é pior, com a determinação de suspensão de atividades de inteligência da Polícia Federal do Brasil, como se houvesse um único inquérito e um único julgador a envergar a toga do STF”, completou Dino, em crítica a Mendonça. Foco em Minas A passagem de Flávio Bolsonaro por Minas ocorre num momento favorável ao candidato no estado. Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira mostra o senador, pela primeira vez, numericamente à frente de Lula numa simulação de segundo turno: 40% a 37%. Como a diferença está dentro da margem de erro, os dois estão tecnicamente empatados. Em agosto de 2025, Lula tinha nove pontos de vantagem sobre o candidato do PL no estado. Flávio Bolsonaro visita local onde o pai Jair Bolsonaro foi esfaqueado em 2018, em Juiz de Fora (MG) — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo Em Juiz de Fora, o senador estava acompanhado do empresário Flávio Roscoe (PL-MG), candidato ao governo de Minas e seu palanque no estado. Roscoe aparece com 3% das intenções de voto na Quaest divulgada nesta terça-feira. Flávio refez o trajeto percorrido pelo pai em 2018, quando Jair Bolsonaro disputou a Presidência pela primeira vez. Em uma “motocarreata”, seguiu do aeroporto até o Centro, com parada na esquina das ruas Halfeld e Batista de Oliveira, onde o ex-presidente foi esfaqueado durante aquela campanha. No local da facada, Flávio repetiu o gesto do pai de 2018 e subiu nos ombros de um apoiador. Durante a manifestação, o senador usava um colete à prova de balas por baixo da camisa verde-amarela, com a frase “Meu partido é o Brasil”, como o pai no episódio ocorrido há oito anos. Flávio também discursou em cima de um trio elétrico parado no local e retomou o discurso crítico ao Supremo, mas, dessa vez, mirou no ministro Alexandre de Moraes. — Cada uma das pessoas que está aqui, com vocês, nós temos que defender as instituições e proteger o Supremo. Uma laranja pode não pode contaminar a mais alta Corte do país. O STF não é Alexandre de Moraes. O Judiciário não é Alexandre de Moraes, e os juízes do Brasil não são ele. O problema é ele, não é o Supremo — disse Flávio. Como mostrou o GLOBO, a estratégia da campanha será manter Moraes como um dos principais alvos, mas evitar que o candidato transforme a crítica ao ministro em uma contestação generalizada ao Supremo. O cálculo é preservar o poder de mobilização da pauta sem reforçar a imagem de que um eventual governo de Flávio seria marcado por uma disputa permanente com o Judiciário, na tentativa de atrair o eleitor indeciso. Em JF, Flávio também esteve acompanhado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que pediu, durante seu discurso, para que o público filmasse o evento e registrasse o momento em suas redes sociais. O parlamentar também apareceu ao lado da vereadora da cidade Roberta Lopes (PL-MG), candidata a deputada estadual apoiada por ele. No ato de campanha, ela entregou a Flávio uma medalha simbólica que representa o título de cidadão de Juiz de Fora. A agenda estava inicialmente prevista para a data de 16 de agosto, o segundo dia da campanha nas ruas autorizada pela Justiça Eleitoral. Na ocasião, no entanto, o senador não conseguiu pousar na cidade em função do mau tempo e cancelou o compromisso. A mesma situação se repetiu nesta quarta-feira, mas o senador decidiu pousar no município de Goianá, distante cerca de 40 km de JF, antes de chegar ao local de concentração do ato. O imprevisto provocou um atraso de cerca de uma hora e meia para o início da motocarreata, deixando parte dos 80 apoiadores que o esperavam no local impacientes.
Flávio chama de ‘canetada’ decisão de Dino que reintegrou Andrei à PF e acusa ministro de defender ‘causa de Lula’
Candidato do PL à Presidência, senador criticou volta de diretor-geral ao comando da PF e pediu que presidente do STF suspenda liminar do ministro









