A Basf implementa um programa de eficiência no uso de recursos e avança em circularidade — Foto: Julio Bittencourt/Valor A Basf avançou na transformação de seu modelo de gestão simplificando estruturas. Em 2025, ampliou responsabilidades locais, aproximou as decisões dos clientes e investiu em operações mais eficientes, digitais e sustentáveis. No ano passado, o Brasil permaneceu como o principal mercado da companhia na América do Sul, com vendas de 2,83 bilhões de euros — o total na região foi de 3,67 bilhões de euros. A receita líquida foi de R$ 18,49 bilhões. A empresa ficou na liderança do setor de química e petroquímica do Valor 1000. O setor químico, marcado no ano passado pela maior concorrência com as importações, segue diante de forte pressão competitiva, condições financeiras restritivas e volatilidade externa. “Ao mesmo tempo, o Brasil continua apresentando oportunidades importantes em diferentes cadeias nas quais a Basf atua”, destaca a vice-presidente sênior da Basf no Brasil, Priscila Camara. A empresa vem acompanhando a evolução das condições de financiamento, da demanda industrial e da implementação da reforma tributária e o ambiente internacional. “Adotamos um planejamento por cenários, que nos permite reagir com agilidade às mudanças do mercado”, acrescenta a executiva. Um dos eixos estratégicos da Basf é a sustentabilidade, que é apoiada por tecnologia e inovação. Tem ações concentradas em descarbonização, eficiência energética, gestão de água e resíduos, além de conservação da biodiversidade, com foco no desenvolvimento de soluções que combinem desempenho técnico, benefício ambiental e viabilidade econômica. “Isso é essencial porque a transformação sustentável só ganha escala quando também gera valor e competitividade para os clientes”, afirma a executiva. Entre os investimentos associados ao ciclo 2025/2026, duas iniciativas demonstram essas prioridades. Uma delas está no Complexo Químico Industrial de Guaratinguetá (SP) — onde a empresa fabrica produtos químicos destinados a setores diversos, incluindo automotivo, agronegócio, tintas e resinas. Priscila Camara: oportunidades no Brasil — Foto: Divulgação Trata-se de um projeto de descarbonização, com a eletrificação de uma caldeira, que exigiu R$ 41 milhões em investimentos. Entra em operação até o fim do ano e permitirá significativa redução do consumo de gás natural e das emissões da geração de vapor. A segunda iniciativa terá vez nos próximos meses, na unidade de São Bernardo do Campo (SP), onde ocorre a fabricação de plásticos de engenharia, como poliamida e poliuretano. Lá, haverá a ampliação da capacidade de criar, testar e desenvolver protótipos de soluções em parceria com os clientes. No Brasil, além de Guaratinguetá e São Bernardo do Campo, a Basf concentra sua produção em outras duas grandes unidades: Camaçari (BA) e Jacareí (SP), contando com eletricidade de fontes renováveis em suas operações. Seu programa Triple E reúne iniciativas de eficiência energética. A empresa também está aumentando a circularidade e o uso eficiente dos recursos. “Priorizamos reciclagem, reúso e outras aplicações para os resíduos industriais”, aponta Camara. Em Guaratinguetá, exemplifica, projetos de eficiência não só reduziram a captação do rio Paraíba do Sul, como também a estação de tratamento consegue recuperar cerca de 900 mil metros cúbicos de água por ano. Segundo a executiva, em 2025, as “sustainable-future solutions” (soluções sustentáveis para o futuro) representaram 48,5% das vendas globais elegíveis — produtos integrantes de uma metodologia que considera seu desempenho ambiental e social, aplicações e seus mercados. A intenção é superar 50% até 2030. No mesmo período, as “loop solutions”, voltadas à circularidade, alcançaram 5,8 bilhões de euros em vendas, com a meta de chegar a 10 bilhões de euros até 2030. “Sustentabilidade não é apenas redução de impacto. É também uma fonte de inovação, diferenciação e crescimento.” Ela conta que, no Brasil, a empresa já aplica inteligência artificial, visão computacional, drones e suporte remoto no apoio à segurança, manutenção, gestão de estoques e tratamento de efluentes. O maior ganho está em melhorar a qualidade e a velocidade da decisão humana. “Por isso, combinamos tecnologia com capacitação, governança e conhecimento técnico. A IA funciona como um copiloto das pessoas, liberando tempo de atividades repetitivas”, afirma. — Foto: Arte/Valor Para 2027 a prioridade da empresa será fortalecer a estrutura local e regional dentro da lógica “Local for Local”. “É desenvolver e produzir mais próximo dos clientes, reduzir vulnerabilidades de abastecimento e responder com maior velocidade às necessidades da indústria brasileira”, salienta a vice-presidente. Essa estratégia vem ganhando relevância diante de um cenário global como o atual, marcado por tensões geopolíticas e conflitos armados, entre eles a guerra no Irã, que criou dificuldades logísticas e elevação de preços de insumos por conta do fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no planeta. Essas tensões e conflitos podem afetar a indústria química por seus impactos sobre energia, matérias-primas, logística, câmbio e fluxos comerciais internacionais. “Em uma indústria altamente integrada globalmente, mudanças nessas variáveis podem influenciar custos, disponibilidade de insumos e competitividade entre diferentes regiões”, destaca Camara. Para a executiva, produzir e desenvolver soluções de forma mais próxima dos clientes ajuda a reduzir vulnerabilidades e aumentar a capacidade de resposta. “Além disso, torna as cadeias de abastecimento mais resilientes em um ambiente global cada vez mais volátil”, diz. Nos últimos três anos, a Basf ampliou a capacidade de fabricação de vários produtos no país. Um deles foi o metilato de sódio (catalisador usado para fazer biodiesel), para 90 mil toneladas anuais em seu Complexo Químico de Guaratinguetá. Outra expansão, a partir de um aporte de R$ 20 milhões, ocorreu no Complexo Acrílico de Camaçari (BA) para produzir mais polímeros superabsorventes (SAP) — usados na produção de fraldas, por exemplo —, parte de um programa mais amplo, de R$ 350 milhões, entre 2022 e 2032, para modernizar as instalações. Também nacionalizou uma etapa estratégica da produção de poliamida em sua unidade de São Bernardo do Campo, reduzindo a dependência de fornecedores externos. A Basf, diz Priscila, vê, para os próximos anos, oportunidades de negócios no Brasil, especialmente em setores como higiene e cuidados pessoais, biocombustíveis, infraestrutura, mobilidade, modernização industrial e agricultura.
Valor 1000: Com gestão simplificada, Basf reafirma liderança em química e petroquímica
Empresa aproxima decisões dos clientes e reforça a sustentabilidade como eixo estratégico dos negócios






