Vinícius Costa Silva, de 26 anos, foi preso na segunda por suspeita de envolvimento na morte da esposa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mulher de PM é encontrada morta com tiro em banheiro de casa em Embu das Artes — Foto: Reprodução Os advogados do policial militar Vinícius Gosta Silva, preso na segunda-feira (8) por suspeita de envolvimento na morte da esposa, Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, apresentaram para a delegacia responsável pela investigação do caso prints e áudios, que a mulher teria enviado para a irmã de Vinícius, para sustentar a versão de que o caso foi um suicídio. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que "toda evidência obtida pela Polícia Civil, seja por meio de diligências, análises forenses ou encaminhadas pelos advogados, serão analisadas no decorrer do inquérito que investiga o caso". O caso ocorreu no último domingo (6), na cidade de Embu das Artes, na Grande São Paulo. Larissa foi encontrada com um ferimento de tiro na cabeça em casa e a arma do policial estava embaixo do corpo da mulher. Nesta terça-feira, a delegada responsável pelo caso afirmou que a trajetória do projétil que atingiu o corpo de Larissa embasou o pedido de prisão do marido. Vinicius afirmou em depoimento que Larissa se suicidou. Parentes da vítima, no entanto, afirmaram que ela nunca tinha manifestado tendência depressiva ou suicida, e contestaram a versão do marido sobre a morte, defendendo que o ocorrido tratou-se de feminicídio. Nesta terça-feira, a defesa do policial encaminhou mensagens supostamente trocadas entre Larissa e a irmã de Vinícius, Thamires, à delegada responsável pela apuração. A irmã disse para a polícia que esteve na residência do casal horas antes da morte, e afirmou que eles tiveram uma discussão naquele dia sobre o fim do relacionamento. Nas mensagens de Larissa para Thamires, a vítima teria feito menções a tirar a própria vida, além de "relatos de esgotamento e sofrimento emocional" e "uso de antidepressivos", segundo nota da defesa. De acordo com os advogados, o conteúdo poderá ser extraído do celular de Larissa. Foram enviadas capturas de tela e áudios que teriam sido trocados entre Larissa e a cunhada ao menos desde dezembro de 2025. Os conteúdos fazem menção a automutilação, ao uso de um medicamento usado para tratar depressão e a um sentimento de exaustão relacionado ao relacionamento do casal. Nas mensagens, Larissa também supostamente afirma que "não desejava o término da relação". "É foda gostar tanto de alguém a ponto de não conseguir ver a vida sem a pessoa", diz uma das mensagens. Segundo a defesa, "o material encontra-se preservado e poderá ser submetido à verificação". Print de mensagens supostamente trocadas entre Larissa e a cunhada, Thamires — Foto: Reprodução Em outras mensagens, Larissa diz também frases como "Quero morrer man", "Tô tão saturada" e "Deu vontade de me jogar do carro, velho". Ela também indica que era o marido quem desejaria terminar o relacionamento, o que não seria da vontade dela. "(...) Porque eu não quero terminar, só queria que ele mudasse, mas ele não é capaz disso", diz um dos trechos. "Não se pretende, com a divulgação dessas informações, expor ou desrespeitar a memória de Larissa, tampouco substituir o trabalho técnico das autoridades policiais, contudo, diante da repercussão do caso e das versões apresentadas pela própria família de vítima, fez-se necessário tal contraponto", diz o texto da defesa do PM, sobre o conteúdo enviado para a Polícia Civil. Trajetória do tiro motivou pedido de prisão A trajetória do projétil que atingiu o corpo de Larissa foi um dos elementos que embasaram o pedido de prisão de Vinícius Costa Silva, segundo a delegada Bruna Caracho Crippa, da Delegacia de Embu das Artes, responsável pela investigação. Em vídeo obtido pelo UOL, Crippa afirmou que a médica legista responsável pelo exame necroscópico identificou informações relevantes sobre o disparo, entre elas a trajetória do projétil que atingiu Larissa e as circunstâncias da morte. Segundo a delegada, esses elementos, somados a outras informações reunidas pelos investigadores, fundamentaram o pedido de prisão temporária do policial, de 26 anos. A conduta do PM durante a apuração e os depoimentos prestados na delegacia também contribuíram para a solicitação. A Justiça de São Paulo autorizou a prisão. Larissa estava caída no banheiro de sua residência quando foi achada por policiais após o marido pedir socorro. Quando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou, por volta das 11h, os paramédicos já constataram a morte da mulher. Parentes de Larissa afirmaram que ela nunca manifestou tendência depressiva ou suicida, e contestaram a versão do marido sobre a morte, defendendo que o ocorrido tratou-se de feminicídio. Segundo os policiais, apesar de evidências em contradição com relatos, não foi possível determinar um ato em flagrante. "A ocorrência foi, portanto, registrada sem autoria definida, como morte suspeita, permanecendo sob apuração a hipótese de suicídio ou eventual intervenção de terceira pessoa", informa o B.O. "Por falta de evidências técnicas de suicídio, o caso foi registrado inicialmente como 'morte suspeita' e segue em investigação." Vinícius afirmou aos policiais que, de fato, havia tido uma discussão com sua mulher na manhã de ontem, mas relatou que ele mesmo havia dito a ela que tinha intenção de acabar com o relacionamento. O casal tem filho pequeno, um menino, que estava sendo cuidado por Thamires no momento do bate-boca. O policial disse no depoimento que tinha ido dormir após a discussão com sua mulher, e que teria acordado com o barulho do tiro. Thamires não estava mais na casa nesse momento. O filho teria dito que a mãe estava no banho, e Vinícius afirmou que depois disso já teria a encontrado ferida no banheiro. Após o atendimento da ocorrência e da perícia local, o corpo de Larissa foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passa por investigação sob as características da lesão causada pelo tiro. Vinícius também passou por exame no local para busca de vestígios de pólvora. A corregedoria da Polícia Militar diz estar acompanhando o caso, mas não divulgou nenhuma conclusão ainda. A arma de Vinícius, um revólver da marca Taurus, também foi apreendido e levado para o Instituto de Criminalística para análise, junto com o telefone celular da vítima. Foram recolhidos também munição, coldre, e um carregador da arma que pertenciam ao policial. Larissa era profissional de saúde e, segundo postagens nas redes sociais, tinha entusiasmo pela profissão. Depois de trabalhar como recepcionista em uma clínica de ortopedia, há quatro anos, passou a atuar como técnica em radiologia, em um setor de mamografias, sendo egressa de um curso na área.
Caso Larissa: defesa de PM apresenta áudios e prints de conversas para sustentar versão de suicídio
Vinícius Costa Silva, de 26 anos, foi preso na segunda por suspeita de envolvimento na morte da esposa






