Antes de chegar à região, secretário de Estado confirmou a adesão do Peru, comandada por outra aliada, ao Escudo das Américas, aliança de governos de direita pró-Trump 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella (E), ao lado do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Barranquila — Foto: Luis ACOSTA / AFP O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou nesta terça-feira à Colômbia, na primeira escala de um giro por países aliados na América do Sul, que mescla a pressão vinda da Casa Branca por ações para conter a ação dos cartéis do tráfico com o apoio vindo do presidente Donald Trump a governos que seguem sua cartilha de poder. Antes de pousar em Barranquilla, onde se encontrou com o presidente Abelardo de la Espriella, Rubio confirmou a adesão do Peru — sua última parada da visita — ao Escudo das Américas, uma aliança regional de países comandados pela direita. Em declarações a jornalistas após o fim da reunião, Rubio destacou que "os laços entre os Estados Unidos e a Colômbia são quase impossíveis de replicar com outros países da região", criticando o distanciamento durante o governo de Gustavo Petro. — As ameaças à segurança que a Colômbia enfrenta são as mesmas que enfrentamos nos Estados Unidos. Essa é a base, é o aspecto mais importante. Mas, sobre ela, pode-se construir a prosperidade. As oportunidades econômicas existentes na Colômbia são incríveis — disse o secretário de Estado, citado pelo jornal colombiano El Tiempo. — Vamos aproveitar as oportunidades que temos agora. Espriella, por sua vez, anunciou (sem dar detalhes) "uma parceria estratégica de longo prazo", centrada em "reconstruir a pátria, recuperar a economia e atender às necessidades do hemisfério", destacando uma agenda conjunta "para fortalecer a segurança regional, combater frontalmente o narcoterrorismo, cumprir e colaborar nos assuntos fronteiriços e abrir novas oportunidades de investimento". — Queremos atrair investimentos para áreas como infraestrutura, habitação, tecnologia e reconstrução produtiva — destacou. — Estamos propondo uma parceria aos Estados Unidos na qual a Colômbia oferece projetos, territórios, recursos e regras claras, enquanto os Estados Unidos fornecem o investimento. De la Espriella, um milionário autodenominado antissistema, fez do apoio declarado da Casa Branca uma de suas principais bandeiras de campanha, ao lado da promessa de uma postura mais dura contra o crime organizado na Colômbia. Mesmo antes da estreita vitória sobre Ivan Cepeda, apoiado pelo ex-presidente Gustavo Petro , ele se dizia favorável a ações militares conjuntas com os EUA contra o narcotráfico, espelhando ataques já em curso no vizinho Equador. Dias depois de sua posse, Espriella confirmou a adesão da Colômbia ao Escudo das Américas — o que será oficializado durante a visita com Rubio —, e quer tornar seu país uma espécie de base da iniciativa, oficialmente destinada ao combate ao narcotráfico, mas que serve hoje como o principal fórum de governos alinhados à Casa Branca na região. — O apoio dos EUA será fundamental no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado transnacional — declarou, em vídeo nas redes sociais, Omar Bula, destacando "a importância de reafirmar um compromisso com os valores ocidentais e com a defesa deles como aliados”. Segundo o jornal New York Times, Rubio levou uma mensagem clara da Casa Branca: para Trump, os colombianos precisam agir de maneira mais dura contra as organizações criminosas locais. Dados oficiais apontam que a Colômbia é o maior produtor mundial de cocaína, assim como os EUA são os maiores consumidores da droga. A Colômbia é a primeira escala de uma viagem que levará Marco Rubio a uma trinca de governos alinhados ao trumpismo. Depois de Barranquilla, o secretário de Estado seguirá para o Equador, onde se encontra com o presidente Daniel Noboa, no poder desde 2023 e que atua com os americanos em operações contra o narcotráfico, incluindo ações terrestres e os controversos bombardeios contra embarcações na costa do Oceano Pacífico. Apesar da derrota de um plano para restabelecer a presença de bases militares estrangeiras no país em um referendo, no ano passado, Noboa insiste no tema, e em junho implementou um decreto que permite a presença de tropas de outros países, desde que em caráter de apoio às forças locais, e lhes concede imunidade legal. Nas últimas décadas, o território equatoriano passou a ser usado por organizações criminosas como ponto de distribuição de drogas para mercados como a Ásia e Estados Unidos, tornando o país um dos mais perigosos da América Latina. Ainda nos Estados Unidos, Rubio anunciou que o Peru, sua última escala na viagem, passará a integrar o Escudo das Américas, uma promessa feita pela presidente Keiko Fujimori, que assumiu após uma vitória estreita no segundo turno das eleições de julho. Em artigo no jornal El Comércio, ele disse que “estamos coordenando esforços para proteger nosso hemisfério de ameaças transnacionais e regionais, acolhendo o Peru — agora um importante aliado extra-Otan” na iniciativa liderada pelo secretário de Estado. No texto, o secretário tocou em outro tema sensível: as relações econômicas entre peruanos e chineses, maiores parceiros comerciais locais. Para Rubio, que deseja se ver livre da influência de Pequim na América Latina, “cada nação da nossa região tem o direito soberano de escolher seus parceiros”, mas ele pede que “a escolha seja feita com absoluta transparência e que todos os termos sejam públicos”. — Portanto, esta é, obviamente, uma viagem importante. Vamos visitar três países fortemente alinhados aos Estados Unidos. Temos muitos interesses em comum com eles, tanto no que diz respeito ao enfrentamento do terrorismo e do crime transnacional na região quanto às relações econômicas — disse Rubio aos jornalistas, pouco antes de embarcar para a Colômbia. A viagem de Rubio à América do Sul é a primeira desde a adoção da versão trumpista da Doutrina Monroe — “América para os americanos” —, pela qual Washington busca exercer sua hegemonia na região, e a primeira desde a ofensiva militar que capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro, e que tornou o regime chavista afável a Trump. Perguntado por jornalistas sobre uma possível viagem a Caracas, o secretário citou que sequência de feriados e datas históricas, como os 25 anos dos ataques de 11 de Setembro, não deixou espaço na agenda.
Com pressão por combate ao tráfico, Rubio se reúne com presidente da Colômbia em início de viagem à América do Sul
Antes de chegar à região, secretário de Estado confirmou a adesão do Peru, comandada por outra aliada, ao Escudo das Américas, aliança de governos de direita pró-Trump












