Os candidatos ao Senado por Minas Gerais Arcanjo Pimenta (MDB), Áurea Carolina (Psol), Carlin Moura (Avante) e Marcelo Aro (PP) defenderam a investigação de denúncias de envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o esquema financeiro do Banco Master e o impeachment dos magistrados caso haja comprovação. Os candidatos participaram na manhã desta terça-feira (8) do debate promovido pelo g1. No período da tarde haverá mais uma rodada, desta vez com os candidatos Aécio Neves (PSDB), Domingos Sávio (PL) e Manoel Carvalho (MDB). Marília Campos (PT) e Carlos Viana (PSD) foram convidados, mas não quiseram participar. Áurea Carolina disse que não se recusaria a atuar em processos de impeachment de ministros do STF, mas defendeu que haja uma apuração rigorosa e dentro dos ritos da democracia. Marcelo Aro afirmou ser 100% favorável ao impeachment de ministros do STF, alegando que o STF "passou dos limites". Ele considerou "um absurdo completo" a conduta do ministro Alexandre de Moraes, apontando um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório da esposa o ministro e o banco Master. Carlin Moura disse que a polarização política contaminou todas as esferas de poder e defendeu uma reforma no Judiciário, com a instituição de mandatos para ministros do STF por tempo determinado e adoção no país do regime de semipresidencialismo. Ele também defendeu que autoridades envolvidas no caso Master sejam afastados enquanto são investigados. Arcanjo Pimenta também defendeu reforma no Judiciário com adoção de mandatos com prazo para os ministros do STF e que as decisões mais complexas sejam tomadas somente de forma colegiada, evitando as decisões monocráticas. Ele também disse que é preciso apurar as denúncias e, se houver justificativa constitucional, que o processo de impeachment seja levado adiante. Emendas Pi Outro tema abordado no debate foram as chamadas "emendas Pix", emendas parlamentares na modalidade de transferência especial. A candidata Áurea Carolina criticou as emendas Pix, dizendo que esse modelo dificulta o rastreamento e a fiscalização da aplicação do recurso público. Ela também disse que o volume de recursos destinado pelos parlamentares reduz a capacidade dos governos de executar políticas públicas planejadas. "Na prática o que se vê é parlamentar usando a emenda para fidelizar a base eleitoral, sem compromisso de política pública. Há muita corrupção na destinação das emendas. (...) Emenda Pix é nome fantasia para esquema facilitado de envio de dinheiro", criticou. A candidata defendeu o fim desse modelo, com mais transparência e participação popular na definição da distribuição dos recursos. Carlin Moura disse não ver problema nas emendas Pix, que considera uma forma de democratizar a distribuição do orçamento para os municípios e um modelo que dá mais agilidade ao processo. "Quando há controle social, não vejo problema nas emendas Pix", afirmou. O candidato também defendeu direcionar as emendas para as áreas da saúde e da infraestrutura. Arcanjo Pimenta também considerou a emenda Pix um modelo favorável pela rapidez na liberação dos recursos. Mas defendeu correções para aumentar a transparência na destinação do recurso. Marcelo Aro também disse ser favorável às emendas Pix, porque o recurso chega mais rápido para o município. "Quando manda o recurso sem ser emenda Pix, a obra demora três, quatro anos. Com a emenda Pix demora seis meses", disse. O candidato acrescentou que irregularidades precisam ser punidas com rigor pela Justiça, sem inviabilizar a modalidade de repasse. Dívida do Estado Outro tema discutido foi a renegociação da dívida de Minas Gerais com a União. Os quatro candidatos defenderam a renegociação da dívida para que o Estado tenha recursos para fazer investimentos. Carlin Moura defendeu melhorar as negociações com a União, incluindo a discussão sobre compensações relacionadas à Lei Kandir e à perda de arrecadação com a reforma tributária. Ele também defendeu discutir mudanças na cobrança da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), para aumentar a arrecadação. Arcanjo Pimenta disse que a renegociação feita pelo governo estadual reduziu os encargos da dívida, defendeu acompanhar a execução do acordo a buscar alternativas para reduzir o tamanho da dívida. Marcelo Aro observou que Minas Gerais recebe de volta apenas 40% do valor que arrecada e defendeu que o valor que o Estado paga da dívida à União seja apartado em uma conta e que o governo federal seja obrigado a reinvestir esses valores no Estado. Áurea Carolina defendeu o fortalecimento da arrecadação estadual, propôs rever a concessão de benefícios tributários no Estado a empresas. "A gente tem que melhorar a política fiscal de Minas Gerais, com uma política de arrecadação que respeite as necessidades da nossa população", disse. Marcelo Aro argumentou que a política de benefício fiscal a setores ajuda a estimular a geração de emprego e renda. Terras raras Outro tema debatido foi a exploração de terras raras em Minas Gerais. Áurea Carolina defendeu o fortalecimento da fiscalização da mineração e aprovação de um marco regulatório que garanta proteção ambiental e respeito aos direitos humanos. "Precisamos de um sistema que não só elimine corruptos como fortaleça as políticas de fiscalização e meio ambiente em Minas Gerais", disse. Carlin Moura voltou a defender o aumento da Cfem e reforço na estrutura da Agência Nacional de Mineração (ANM), para melhorar a fiscalização do setor. Ele também disse que o Estado deve aproveitar o potencial econômico das terras raras para estimular a industrialização do setor no Estado. Arcanjo Pimenta também defendeu o estímulo à industrialização, com investimentos em tecnologia, qualificação de mão de obra e instalação de indústrias para transformar a commodity em produtos de maior valor agregado. Marcelo Aro criticou a atuação do governo federal na nomeação de diretores da ANM e citou o ex-diretor da ANM Caio Seabra, que foi preso no ano passado, como parte de um grupo que recebia propina de uma organização criminosa para facilitar a concessão de licenças ambientais em áreas protegidas de Minas Gerais. Ele também defendeu o aperfeiçoamento das regras do setor. Recursos para a saúde Na área de saúde, Arcanjo Pimenta defendeu a regionalização da saúde, com construção de mais hospitais regionais e que as emendas parlamentares acompanhem a demanda dos pacientes. Áurea Carolina defendeu o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a ampliação de hospitais regionais e universitários, o fortalecimento da atenção básica e das equipes de saúde da família. Carlin Moura defendeu o aumento do repasse de recursos para os municípios, argumentando que é onde a população busca o atendimento. Ele também defendeu a expansão de hospitais regionais e uso de novas tecnologias na saúde, como o teleatendimento. Marcelo Aro criticou o governo federal, dizendo que as transferências voluntárias para a saúde cresceram 32% no país, mas recuaram 3% em Minas Gerais. Trabalho e renda O último tema sorteado foi trabalho e renda. Arcanjo Pimenta defendeu estimular a produtividade com atração de indústrias e investimentos em infraestrutura logística. Ele propôs criar uma plataforma tecnológica brasileira para motoristas de aplicativos e entregadores, para evitar que a taxa de 20% cobrada pelas empresas donas de aplicativos saia do país. Ele também disse que suas empresas já adotam a escala 5x2 há 20 anos e defendeu tempo de descanso para os empregados. Áurea Carolina defendeu o fim da escala de trabalho 6x1, e criticou a oposição ao governo Lula, que trabalha para barrar a votação da proposta no Congresso. Marcelo Aro disse ser a favor da redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais. Acrescentou que a geração de emprego e renda decorre do desenvolvimento econômico e defendeu mais investimentos em infraestrutura para atrair mais empresas para o Estado. Ele disse ainda que vai defender melhorias no Benefício de Prestação Continuada (BPC) paga a mães de pacientes com doenças raras. Carlin Moura defendeu investimentos na qualificação de jovens, principalmente no meio rural. Ele propôs nacionalizar o programa Trilhas de Futuro, do governo de Minas Gerais, que concede bolsas de estudos para qualificação profissional de estudantes , e sugeriu a criação de linhas de financiamento com juros subsidiados para micro e pequenas empresas. No bloco de tema livre, Áurea Carolina defendeu o enfrentamento da violência contra mulheres, com ampliação da rede de acolhimento às vítimas, fortalecimento de delegacias especializadas e políticas de prevenção nas escolas. Arcanjo Pimenta disse que pretende atuar no Senado em defesa das pautas do movimento negro e que sua principal bandeira será investimento em educação, com ampliação das escolas em tempo integral, expansão de creches e valorização dos professores. Marcelo Aro defendeu a castração química de estupradores e a redução da maioridade penal. No bloco, Áurea Carolina citou uma denúncia registrada contra Marcelo Aro por agressão a uma ex-namorada. Em resposta, Marcelo Aro disse que não responde a processos relacionados ao tema e acusou a candidata de divulgar fake news durante o debate.