Ofensiva de Moscou provocou incêndios em vários distritos da capital ucraniana e danificou ao menos 14 prédios residenciais, um alojamento, uma escola, uma clínica, armazéns e outros locais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um bombeiro trabalha no local de uma empresa privada atingida durante ataques russos com mísseis e drones, em meio à guerra da Rússia contra a Ucrânia, em Kiev, na Ucrânia, em 8 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Valentyn Ogirenko A Rússia atingiu Kiev com drones e mísseis nas primeiras horas desta terça-feira, em um movimento de retomada dos seus ataques aéreos após uma breve pausa para a visita de negociadores de paz dos Estados Unidos. Três pessoas foram mortas, disse o prefeito Vitali Klitschko. A ofensiva de Moscou provocou incêndios em vários distritos da capital ucraniana e danificou ao menos 14 prédios residenciais, um alojamento, uma escola, uma clínica, armazéns e outros locais, disseram autoridades. “Kiev estava explodindo e em chamas”, afirmou Katarina Mathernova, embaixadora da União Europeia na Ucrânia, em uma publicação nas redes sociais. Em outro ataque, um drone russo destruiu parcialmente o prédio de um canal de televisão ucraniano em Kiev, deixando cinco pessoas feridas, disse o presidente Volodymyr Zelensky. O número de feridos na cidade havia chegado a 19 até o meio-dia (horário local), disseram as autoridades. A Rússia retomou os ataques depois que os enviados americanos Jared Kushner e Steve Witkoff deixaram Kiev no domingo, após conversas com Zelensky, enquanto o governo Trump renovava os esforços para pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia, que já dura quatro anos e meio. Os dois chegaram à capital ucraniana após conversas em Moscou, depois das quais o Kremlin afirmou não descartar a retomada das negociações trilaterais. Moscou e Kiev suspenderam por três dias os ataques às respectivas capitais para garantir a segurança dos negociadores de paz americanos. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, pediu aos aliados que aumentem a pressão sobre Moscou e forneçam interceptadores capazes de derrubar mísseis balísticos, já que os estoques de Kiev chegaram a níveis criticamente baixos. Ao descrever a ofensiva como um ataque complexo destinado a causar “o máximo de danos possível à vida”, Zelensky afirmou que os mísseis balísticos continuam sendo “particularmente difíceis” de interceptar. A Força Aérea da Ucrânia afirmou ter derrubado quase todos os mísseis de cruzeiro e dois mísseis balísticos. Antes das negociações, a Rússia havia intensificado os ataques aéreos contra Kiev e áreas próximas, que passaram a ocorrer quase 24 horas por dia, em vez de principalmente à noite, com o uso de drones mais rápidos, movidos a jato, que mataram moradores e interromperam atividades. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que Moscou atingiu alvos militares e logísticos em Kiev e na região ao redor da capital, assim como na cidade portuária de Chornomorsk, no Mar Negro, segundo agências de notícias russas. Uma mulher com uma criança caminha no local de um ataque russo com míssil, após deixar um abrigo, em meio à guerra da Rússia contra a Ucrânia, em Kiev, na Ucrânia, em 8 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Yan Dobronosov Ataques a trens de passageiros Além de Kiev, outras oito regiões foram alvo de ataques, disse o primeiro-ministro Sergii Koretskyi. Quase 100 pessoas foram retiradas de um trem atingido por drones russos na região de Sumy, no norte do país, afirmou. O chefe da operadora ferroviária ucraniana Ukrzaliznytsia disse que outro trem de passageiros foi atingido na região. Os passageiros haviam sido retirados, mas nem todos estavam a uma distância segura, e alguns sofreram ferimentos causados por estilhaços, afirmou. Um funcionário ferroviário morreu em um ataque russo com dois drones em sequência contra um trem de passageiros na cidade de Zaporíjia, no sul do país, disseram os serviços de emergência, acrescentando que todos os passageiros foram retirados. Três pessoas ficaram feridas em um bombardeio contra um mercado nos arredores da cidade portuária de Odessa, no Mar Negro, disse o governador. Em Kiev, moradores reunidos perto de um prédio residencial gravemente danificado disseram que a trégua nos ataques havia permitido que, por um breve período, esquecessem a guerra. “Quando visitantes estrangeiros vêm nos visitar, é sempre tranquilo aqui. Você meio que relaxa, respira aliviado, se sente tranquilo... Estava tão pacífico, como se nem houvesse uma guerra”, disse à Reuters Yana, de 19 anos, funcionária de um supermercado. “E então eles foram embora, e tudo voltou ao normal. A Rússia reúne todas as suas forças e, com mais drones e mísseis balísticos, começa a bombardear Kiev novamente”, afirmou. Bombeiros apagam o incêndio em uma locomotiva de um trem de passageiros atingida por um ataque russo com drone, em meio à guerra da Rússia contra a Ucrânia, na região de Sumy, na Ucrânia, nesta imagem de divulgação publicada em 8 de setembro de 2026 — Foto: Serviço de imprensa do Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia na região de Sumy/Divulgação via REUTERS Com as linhas de frente permanecendo praticamente estáticas, Rússia e Ucrânia intensificaram nos últimos meses os ataques aéreos de longo alcance. A Ucrânia tem como alvo a infraestrutura petrolífera russa e armazéns de varejistas online, em uma tentativa de elevar para Moscou o custo de continuar a guerra. Ambos os lados negam atacar civis deliberadamente. Na Rússia, drones ucranianos danificaram infraestrutura civil na cidade de Saratov, enquanto cinco pessoas morreram em ataques ucranianos na Crimeia, anexada pela Rússia, e nas regiões de Bryansk e Kursk, disseram autoridades locais.