Henrique Sinatura, diretor-geral do BCG, fala ao podcast sobre como liderar uma startup interna ajudou a impulsionar a sua carreira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mesmo trabalhando em uma boa empresa, é possível pensar em deixar o emprego e encarar novas possibilidades de realização profissional. Mas o que acontece quando, ao conversar com a chefia sobre um provável adeus, você acaba promovido e começa, sem planejar, uma escalada rumo ao cargo máximo da organização? Foi o que ocorreu com Henrique Sinatura, diretor-geral no Brasil do Boston Consulting Group (BCG). Em 2017, depois de dez anos de dedicação em uma das maiores consultorias do mundo, onde entrou como estagiário, o então diretor sentiu vontade de empreender ao receber uma oferta de uma startup. Mas, antes de pedir as contas, descobriu que podia realizar esse desejo sem sair da própria companhia. Com a mesma ideia de empreendedor na cabeça, ganhou a missão de “construir” uma startup dentro do BCG: passou a liderar do zero a consolidação de uma unidade voltada para inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina. Dois anos depois, em 2019, seria eleito diretor-executivo e sócio do BCG global e, em 2025, sócio sênior. No ano passado, conquistou a cadeira de diretor-geral das operações da consultoria no Brasil. Já a divisão com cara de startup que ele desenvolveu há quase dez anos responde hoje, em média, por mais de 40% do negócio da corporação no país. “Como todo executivo que passa um bom tempo no mesmo lugar, a gente começa a se perguntar se ‘tem vida lá fora’”, relata ele para Stela Campos, editora de Carreira do Valor, e Thiago Barbosa, gerente de produtos digitais da CBN, no podcast “CBN Professional”. “Sempre gostei da empresa e do trabalho de consultoria, mas depois de dez anos, você pensa se deseja continuar fazendo isso.” Sinatura lembra que, naquele momento, o mercado de startups no Brasil chamava a atenção pela fartura de oportunidades e investimentos. “Sentei com alguns dos sócios do BCG e falei que, pela primeira vez, estava considerando fazer um movimento [profissional]”, conta. Depois de algumas conversas, um deles disse “se você está sentindo falta de empreender, dá pra empreender aqui dentro”. Sinatura, diretor-geral do BCG, diz que teve o desafio de trocar o “mindset” corporativo de executivo para empreendedor — Foto: Gabriel Reis/Valor Na época, a multinacional tinha uma célula de desenvolvimento de soluções de IA na França, com vinte especialistas, mas ainda não contava com nada parecido no Brasil. “Era um tipo de trabalho que a companhia sempre fez, de atuar no ‘go from data to insight’ [transformar números em conhecimento estratégico, da expressão em inglês], embasado em dados e análises para dar recomendações, mas elevado à enésima potência”, diz. “Eu falei: ‘esse negócio vai longe’.” Para colocar o projeto em pé, que depois se chamaria BCG X, ele diz que foi decisivo recorrer a colegas que tinham alguma afeição com o tema. “Eu fiz engenharia [na faculdade] e estava longe de ser um cientista de dados”, explica. “Pegar um grupo pequeno de profissionais internos, com trânsito e respeitabilidade junto aos sócios e funcionários, [foi importante] para a companhia comprar a ideia e levar para os clientes.” Além da montagem da equipe que, com o tempo, foi ampliada com currículos do mercado, Sinatura enfrentou o desafio de trocar o “mindset” corporativo - de executivo para empreendedor em uma área inédita. “A mudança me fez continuar evoluindo na empresa”, afirma. “Como executivo, você está atrelado a métricas e o seu sucesso vai depender do sucesso da frente de negócios em que atua.” Na “pele” de um empreendedor, disciplinas como planejamento financeiro, de pessoas, de potencial de oferta e definição de cobertura de mercado fazem parte do dia a dia e ainda era preciso criar um time com uma cultura própria, dentro do BCG, compara. “Achar esse balanço foi um dos segredos do êxito do projeto e era diferente de estar apenas na posição de consultor”, diz ele, com mais de 18 anos de empresa. “Começamos com meia dúzia e agora esse grupo tem mais de 250 profissionais.” Na trajetória como gestor, ele acredita que observar e ouvir os colegas foi uma das ações que nunca tirou da agenda. Hoje, quando perguntado sobre quais conselhos gostaria de ter ouvido quando estava começando a carreira, reforça a importância de cultivar contatos com pares e lideranças. “É relevante identificar e se aproximar de líderes que te inspiram, vão te dar visibilidade, abertura e um caminho na empresa”, ensina. Numa consultoria, entramos como generalistas, fazemos projetos em clientes e nichos diferentes. Estamos, a cada hora, em um novo lugar, diz. “Mas, em algum momento, temos que escolher ou se aprofundar num segmento. E, para mim, isso sempre foi muito mais uma escolha pelas pessoas [com as quais eu ia trabalhar] do que por causa de um determinado setor.” Outra dica para quem ingressa na área, é praticar a modéstia e a simplicidade mesmo com um crachá “pesado” no pescoço. Ele recomenda não tomar como dadas as oportunidades ou uma posição conquistada. “É quase aquela sensação de acordar todo dia e agradecer. Sentir que tem que continuar fazendo o seu melhor para honrar ou merecer o lugar onde você está.” No episódio completo, disponível no site da CBN, nos streamings Spotify e Apple Podcast e nos canais do YouTube do Valor e da CBN, Sinatura também fala sobre o que mudou no recrutamento de jovens talentos e detalha as principais dificuldades que as empresas enfrentam para absorver as transformações trazidas pela IA.