Empresas investem em QR Codes e robôs em aplicativos para eliminar filas e deixar o público aproveitar a música do festival 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Coca-Cola espera distribuir cerca de 10 mil brindes no festival, cerca de 1 mil por dia pelo sistema de fila digital — Foto: Leo Pinheiro/Valor No Rock in Rio, conseguir um brinde não é sinônimo de enfrentar uma fila. Para disputar a atenção do público em meio a shows, ativações e dezenas de marcas, Coca-Cola, KitKat e Trident apostam em QR Codes, agendamento digital e até chatbot no WhatsApp para transformar a espera em parte da experiência. A Coca-Cola foi uma das primeiras a levar a ideia para os grandes festivais. Depois de testar o sistema no Lollapalooza em março deste ano, a marca adotou novamente a fila digital no Rock in Rio. O visitante escaneia um QR Code na entrada, escolhe um horário e recebe avisos por SMS e e-mail. Na hora marcada, basta apresentar o código para retirar o brinde. A estratégia nasceu de um problema bastante concreto: as filas. Segundo Vini Fiorini, gerente sênior de marketing da Coca-Cola, em edições anteriores o público podia passar horas esperando para conseguir um brinde: “Não era a experiência que a gente queria dar, mas a gente quer dar brinde também porque a gente acha legal. Então foi um jeito de resolver esse problema sem necessariamente eliminar os brindes”. A Coca-Cola espera distribuir cerca de 10 mil brindes no festival, sendo aproximadamente 1 mil por dia pelo sistema de fila digital. O presente é um mini-CD que, ao ser aproximado do celular, dá acesso a uma playlist inspirada nos artistas desta edição do Rock in Rio. A Trident, marca de chiclete da Mondelez, também transformou o caminho até o brinde em uma experiência digital. O Trident Pass usa um chatbot no WhatsApp, chamado Whisper, criado pela Publicis em parceria com a Meta. QR Codes espalhados pelo festival levam o público à plataforma, onde é feito o cadastro para receber uma espécie de comprovante digital e retirar o produto no espaço da marca. A KitKat, marca de chocolate da Nestlé, seguiu caminho parecido, mas levou o agendamento para dentro de uma experiência mais imersiva. É a terceira edição consecutiva da marca no Rock in Rio e, desta vez, o objetivo foi melhorar um dos principais incômodos do público: a espera. “A fila sempre é um ponto de dor. A gente tentou pensar de um jeito que conseguisse fazer diferente. E aí o agendamento veio disso”, diz Maria Beatriz Miyahira, coordenadora de marketing da Nestlé para KitKat. O visitante escaneia um QR Code, faz um cadastro simples e escolhe um horário de 15 minutos. São 20 sessões por dia, com cerca de 30 pessoas em cada uma, o que permite receber mais de 500 participantes diariamente. Dentro do espaço, o público encontra uma pista de dança com DJ exclusivo. Depois de alguns minutos, recebe chocolate e cereal KitKat e pode personalizar uma bolsa com chaveiros e acessórios. A fila sempre é um ponto de dor. (...) E aí o agendamento veio disso” Mais da metade das sessões disponíveis já estavam reservadas antes das 19h no primeiro dia de testes. Para a marca, o sistema pode virar um modelo para outros eventos. “A fila e o QR Code são coisas que a gente aprendeu de uma forma muito positiva esse ano, então com certeza, se der certo, a gente vai manter”, diz Miyahira. O movimento acompanha uma estratégia maior da Nestlé para a marca. No balanço global da empresa, a categoria de confeitaria teve vendas de 8,7 bilhões de francos suíços (cerca de R$ 55 bilhões) em 2025, ante 8,4 bilhões de francos suíços em 2024, crescimento puxado pelos preços uma vez que o volume vendido recuou 0,7%. No Brasil, o setor de chocolate, como um todo movimentou R$ 42,5 bilhões em 2025, segundo dado do Kantar/Ibope. A produção nacional passou de 805 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025. No mercado de bebidas, a avaliação da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras) é mais cautelosa. O presidente da entidade, Fernando Rodrigues de Bairros, afirma que o setor vem sentindo a redução do poder de compra e que o cenário para os próximos meses é desfavorável. Mesmo com um ambiente menos confortável para o consumo, as grandes marcas seguem investindo em festivais. A lógica é que, quando o público está diante delas por várias horas, a experiência presencial pode ajudar a aproximar a marca do consumidor de uma maneira que a publicidade tradicional não consegue. No caso da Coca-Cola, o Brasil representa um mercado relevante para o grupo. A operação brasileira de refrigerantes da Coca-Cola Europacific Partners registrou vendas de 283,9 milhões de caixas em 2025. Foram 266,4 milhões em 2024. A tecnologia das marcas dividiu espaço com uma edição marcada por mudanças no clima e grande movimentação de público. O domingo (6) foi o primeiro dia do festival com ingressos esgotados. Os portões foram abertos sob chuva forte, mas o mau tempo não impediu a chegada dos fãs à Cidade do Rock. Para Ramona de Espinosa, que veio do Paraguai para acompanhar a banca The Black Eyed Peas, a dimensão da estrutura foi um dos destaques da experiência: “É muito grande, tudo é muito organizado. O palco e o telão são impressionantes. Dá para ver o show de muito longe e ainda sentir que você está acompanhando tudo.” O festival ocupa uma área de 385 mil metros quadrados e sete palcos, entre o Palco Mundo e o Palco Sunset, os dois principais, a distância é de 400 metros. A operação marcada por chuva forte fez com que as atrações como a Roda-Gigante e a tirolesa fossem suspensas durante todo o dia. Neste ano, a operação de segurança ganhou uma novidade tecnológica: um robô humanoide G1Plug, batizado de Yellow Pro, usado pela SegurPro pela primeira vez em um grande evento. No Rock in Rio, ele circula sob supervisão de um profissional e pode alcançar até 7,2 km/h. A edição 2-26 do Rock in Rio ainda terá mais três dias de programação, nos dias 11, 12 e 13 de setembro.
O que fazem KitKat, Coca-Cola e Trident no Rock in Rio
Empresas investem em QR Codes e robôs em aplicativos para eliminar filas e deixar o público aproveitar a música do festival















